Opinião Victor Dias: “Ruído e poluição visual”

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Como dizem os adolescentes – “prontos” -, estamos em campanha eleitoral. E não se julgue que é só para as europeias, nada disso, já estamos em plena pré-campanha eleitoral para as legislativas e autárquicas.

Aquilo que os cidadãos desejam é que os políticos, candidatos ou não, os esclareçam nas suas dúvidas e informem sobre as propostas e orientações programáticas que se comprometem a implementar, caso sejam eleitos, para que a partir desse compromisso, possam no futuro confrontar os eleitos e exigir que cumpram as suas promessas.

Em síntese é isto que se espera de uma campanha eleitoral, clarificação, esclarecimento e informação séria e comprometedora.

Mas como sabemos, na maior parte dos casos, ou mesmo na sua esmagadora maioria, as coisas não se processam assim, bem pelo contrário, normalmente, assistimos à confusão, à desinformação e à fuga, sub-reptícia às responsabilidades futuras. Muita coisa é dita, de uma forma e com um conteúdo, que caso seja necessário extrair consequências, rapidamente se dá o dito pelo não dito e se foge com o rabo à seringa, uma especialidade em que quase todos os políticos são catedráticos.

Ruído e poluição visual

Para alguém como eu, que ama a Música, e por consequência, também ama o Silêncio que é um elemento integrante da própria Música, o ruído é algo que atinge profundamente a minha sensibilidade e me perturba sobremaneira.

Quando falo do ruído, refiro-me não só ao som que se difunde incomodamente por tudo quanto é megafone ou altifalante de corneta, mas também ao ruído mediático produzido pela maioria dos actores da campanha, que na sua avidez de passar a mensagem a todo o custo, acabam por assinar de cruz, a teoria de Samuel Beckett, sobre a perda do sentido da linguagem, bem expressa na sua obra: “Fim de partida”.

No plano da poluição visual, é desolador constatar a falta de respeito que muitos candidatos a candidatos têm, pela paisagem urbana, pelo espaço verde e rural e, mormente, pelas concessões ao mau gosto.

Será que as pessoas compram candidatos?

Tenho pena e fico triste com os políticos do meu país, por acharem que os seus concidadãos não passam de meros consumidores, sobre quem tem de se exercer, com as mais modernas técnicas de marketing “comercial” travestido de marketing político, uma pressão publicitária que os bombardeia até à exaustão.

Isto começa a ser absurdo e insustentável. Isto não é fazer política de uma forma séria, com respeito pela inteligência das pessoas.

Se não é possível prescindir desta forma comercialeira de fazer campanha, pelo menos respeitem os limites temporais que antecedem cada eleição e façam-na apenas durante os 15 dias que a lei estabelece para as campanhas.