Semana: Depois de eleições

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1.- Acabaram-se as eleições presidenciais e as legislativas, para o ano teremos autárquicas. Um olhar sobre o sucedido, nem que seja apenas um olhar, pode-nos conferir alguma capacidade de (re) inventar o futuro político. Os movimentos sociais começam a concretizar alguma força, e, talvez, devido a isso, os partidos políticos também definem as suas linhas de ação, quer sejam táticas, quer estratégicas; porque depois de eleições há que evidenciar as suas caraterísticas, quanto mais não seja, para não perder o eleitorado. Este chama-se “povo”, que mais ordena, mas que, quanto mais avança o tempo, mais incapacidades mais se notam no porvir político. A política só se desenvolve conforme os andaimes da casa-comum são alicerces para o futuro. Portugal tem, no momento, mais de dois milhões de pobres, muito pobres, que não se alimentam de votações, mas de ações, não vão nos andarilhos de políticos profissionais, que na vida pouco sabem, a não ser, saberem como obter “bezerros de ouro”, defraudando quem quer uma nova sociedade.

2.- Veja-se que bastaram duas eleições para que o posicionamento político mudar. Vemos como uma coligação chamada de PàF, se destruiu, depois de um novo governo. O PPD/PSD, tenta colar-se a uma social-democracia, faz o “pino” para não se dizer de liberal, quando a sua família política europeia é a “popular”, isto é, de um neoliberalismo, que até destrói os seus próprios princípios, como o que estamos a verificar quanto aos refugiados. O CDS tenta integrar-se e apresentar-se como a “direita”, descolando, assim, do PPD/PSD, e clama por uma espécie de “democracia-cristã”, mas bem balizada numa direita. Enquanto isso o PCP, e é de jus Portugal ter uma direita organizada, e um PCP forte, porque este, como reconhece, se perde eleitoralmente, possui uma forte componente social, embora culturalmente tivesse já sido mais capacitado.

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3.- Com um Bloco de Esquerda a navegar entre um reformismo interessante, rumo a uma esquerda não polarizada em ultra esquerdismos, nem em “combates” ideológicos ultrapassados, pode, na sua diversidade, ser copulado pelo PS, o que se traduzirá por um completo apoio, senão integração, no governo de António Costa. Um PS que pode sofrer alguma “cisão”, dada a intransigência de alguns, contra um governo de esquerda. Contudo tanto o PCP, como o BE, e assim o PEV, sabem bem, que ou estão nesta união com o PS, ou enfrentarão graves consequências. De qualquer forma, tudo estará em aberto para outras eleições e se o PPD/PSD guinar à esquerda não significará que Pedro Passos Coelho está a prazo? O CDS/PP começou já o caminho para ganhar a direita da direita.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade