Sociologia política com nova realidade na Maia

0
141

O estudo da fenomenologia eleitoral no Concelho da Maia, sobretudo nas últimas duas décadas, apresentava uma realidade que do ponto de vista da sociologia política era estável. Uma estabilidade que em eleições legislativas cobria a mancha do território concelhio, com as cores do Partido Socialista, facto que vem sendo sucessivamente contrariado, em eleições autárquicas, cobrindo o mapa da Maia de laranja, a cor natural do Partido Social Democrata.

Abrindo o debate e análise multidisciplinar a interpretações para todos os gostos, importa sublinhar apenas e novamente, os factos. E os factos mais relevantes e irrefutáveis são, a meu ver, a expressiva vitória do PSD, recuperando a supremacia eleitoral em legislativas, após muitos anos de secundarização, e a ascensão do CDS a terceira força política Concelhia, o que não deixa de ser um feito digno de nota.
Temos então, para digerir calmamente e pensar bem no futuro, uma esmagadora maioria que “ensanduichou” o PS, empurrou o BE para a 4ª posição e relegou aCDU, para a sua dimensão real. Esta interpretação pode parecer crua e subjectiva, o que eu confirmo, mas não perde, por isso, a sua validade.

Razões para sorrir

Como já foi repetido à exaustão, não há razões para embandeirar em arco e lançar foguetório de artifício, bem pelo contrário, sobejam motivos de preocupação, ansiedade e comedimento.
Pese embora o clima de uma certa tensão social que se vive em Portugal, com sérios riscos dessa tensão se elevar a níveis ainda mais altos, há no entanto, pelo menos aqui pela Maia, algumas pessoas que têm razões para, no mínimo, esboçar um sorriso de satisfação, por terem visto o seu trabalho e empenho pessoal recompensado.

Desde logo, tem razões para sorrir, a nossa Deputada, Emília Santos que foi eleita tranquilamente, cumprindo-se assim, o objectivo de termos uma eleita da Maia no Parlamento.
Bragança Fernandes também pode esboçar um sorriso largo, por ter logrado alcançar no seu consulado como líder do PSD da Maia, um resultado verdadeiramente histórico que lhe confere uma legitimidade local, regional e nacional, inequivocamente ímpar e incontestável.
O jovem, mas já bastante experiente Director de Campanhas do PSD, Hernâni Ribeiro, também pode abrir um sorriso rasgado, na medida em que provou ser competente e eficaz, ao nível da comunicação política, fazendo boas omoletas com poucos ovos, ou quiçá, mesmo sem eles.

Além destes três destacados sociais-democratas, há um outro protagonista da política local que tem igualmente, razões de sobra, para sorrir de regozijo, face ao excelente resultado que conquistou para o seu partido. Falo, obviamente, do líder concelhio do CDS, José Eduardo Azevedo que, ao que julgo saber, com poucos meios, sem grande apoio da sua distrital e com Paulo Portas, a passar pela Maia incógnito, sem se submeter ao contacto directo com a população, conseguiu a proeza de obter um dos melhores resultados de sempre e catapultar o CDS, para o 3º. Lugar, no “ranking” político partidário concelhio, facto que vai mudar muita coisa. Muda antes de mais, a forma como o CDS da Maia vai passar a ser visto e respeitado pela estrutura distrital e nacional, e também vai mudar o seu peso específico a nível local.
Em suma, a realidade já não é o que era, mudou – mesmo!…