Alojamento local com quebras de faturação de cerca de 70%

0
184
imagem António Cotrim LUSA

O alojamento local teve quebras de faturação de cerca de 70% em Portugal este ano, devido à pandemia, sendo que foram as cidades que mais sofreram com a falta de turistas, indicou hoje a associação que representa o setor.

“Tivemos quebras na ordem média de 60 a 70 e poucos por cento este ano, mas com diferenças regionais importantes, ou seja, o Algarve teve um pouco menos”, salientou hoje à agência Lusa o presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP).

De acordo com Eduardo Miranda, o setor ainda se encontra numa situação “bastante complicada”, prevendo que esta se prolongue por “uns bons meses”.

“As zonas de cidade continuam a não ter nenhuma recuperação. As cidades, os centros urbanos, tiveram quebras de 80% a 90% e em quase todos os destinos se agravou a partir de outubro, ou seja, as próprias zonas de praia já têm uma quebra a acrescentar a esta crise”, indicou.

Recordando as quebras na procura devido ao turismo internacional, o presidente da ALEP explicou que os operadores não foram obrigados a “fechar administrativamente”, mas sim por falta de clientes.

“O próprio turismo nacional – que já representa 30% – foi talvez um pequeno balão de oxigénio nos meses de agosto e setembro, mas também caiu”, realçou Eduardo Miranda, relembrando que “houve restrições grandes durante esse período”.

Questionado sobre o encerramento de espaços por causa da crise pandémica, o presidente da ALEP avançou que houve casos de empresários que migraram para o setor do arrendamento e outros que deixaram os negócios.

“Tivemos uma boa parte que migrou para o arrendamento, não é uma parte significativa e é importante que não seja, porque a nossa principal missão é manter a maior parte das operadoras no turismo. O alojamento local representa 40% das dormidas turísticas nacionais e nos centros urbanos representa 50% ou mais”, disse.

O presidente da ALEP explicou que as ‘guest houses’ [hotéis de baixo custo] e os ‘hostels’ estão numa situação delicada de sobrevivência.

“É preciso equilibrar, mas alguns não conseguem. Infelizmente não conseguem recuperar depois de um ano praticamente sem faturação”, lamentou, acrescentando que têm surgido apoios, como o microcrédito e o ‘lay-off’.

Eduardo Miranda precisou que, desde março, a ALEP tem estado envolvida com a Confederação do Turismo para procurar soluções e apoios para o setor. Segundo o dirigente, o ‘lay-off’ foi fundamental para a sobrevivência das empresas.