Estilista americana que copiou camisola poveira também imitou loiça Bordallo Pinheiro

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foto do site de Tory Burch
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A estilista norte-americana Tory Burch não copiou apenas a camisola poveira, também usurpou muitas outras peças de artesanato a nível mundial.
De Portugal também plagiou a loiça Bordallo Pinheiro. Da Roménia usurpou o casaco tradicional, dizendo que a inspiração veio de África.

As peças do serviço copiado por Burch da loiça Bordallo Pinheiro, centenária, são vendidas entre 150 a 300 euros, quando o serviço de loiça em causa da marca original custa cerca de 30 euros.

Depois da polémica com a camisola poveira, a estilista milionária voltou a mudar o nome da camisola à venda no seu site, colocando agora a designação “Póvoa de Varzim – inspired sweater”, com direito a link para o site da autarquia.

Ainda assim, os poveiros estão revoltados e têm demonstrado isso mesmo nos comentários ao pedido de desculpas publicado pela estilista, atirando a acusação: “Inspirada não! Vergonhosamente copiada”.

Na descrição da peça, Tory Burch diz que a sua tem “ombros caídos, bainha cortada e não é tão larga”. Mas a “desculpa” não convenceu os poveiros.
De acordo com declarações da Câmara ao JN, a autarquia quer “mais do que um pedido de desculpas”, quer ser “ressarcida” pelos danos causados. As duas partes começaram, na quinta-feira, a negociar um protocolo, depois de Tory Burch se ter comprometido a apoiar o artesanato local.

Também ao JN, o gabinete de imprensa da estilista reiterou a mesma vontade: “Queremos reconhecer ainda mais esta importante tradição e depois de ter falado com o concelho da Póvoa de Varzim, que aceitou as nossas desculpas, estamos a trabalhar em conjunto de forma a encontrar as melhores soluções para apoiar os artesãos locais”.

A página do Facebook “Camisola Poveira”, da responsabilidade da União de Freguesias Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai informou ontem, dia 25 de março, que «graças à indignação geral dos portugueses, vimos alcançado o nosso primeiro e maior objetivo quando denunciámos a marca Tory Burch: um pedido de desculpas pela falta de qualquer referência à origem correta da camisola comercializada e a assunção do erro.

Esperamos, agora, a retificação do mesmo e o cumprimento do prometido apoio aos artesãos locais. A marcas multimilionárias que buscam inspiração no artesanato tradicional de outras culturas é o mínimo que se pede, reconhecimento da origem e apoio aos artesãos.

Esta situação atravessou-se no caminho que temos vindo a traçar para impulsionar novamente a Camisola Poveira. Desde sempre reconhecemo-la como uma peça única e cheia de potencial cultural, artístico, turístico e económico. Largos passos estão a ser dados na sua promoção e divulgação, nomeadamente a certificação da Camisola Poveira enquanto produto artesanal tradicional, que está em curso.

Contamos, pois, com o apoio de todos os que queiram vestir esta camisola. O património é de todos e para todos!
Camisola Poveira — Um património que se veste.»

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