Grupo de trabalho inter-religioso assume posição contra eutanásia

0
215
imagem arquivo

O grupo de trabalho inter-religioso composto por oito confissões religiosas assinou hoje um documento a reivindicar o “princípio ético, ancestral e universal, não matarás” posicionando-se contra a eutanásia, aprovada sexta-feira pela Assembleia da República.

“Continuamos a afirmar o princípio ético, ancestral e universal, “não matarás”, porque acreditamos que a vida é um dom que recebemos de Deus, que tem um caráter sagrado e que uma finalidade última e por isso temos o dever de a cuidar até ao seu fim natural”, assumem.

O documento é assinado pela Aliança Evangélica Portuguesa, Comunidade Hindu Portuguesa, Comunidade Islâmica de Lisboa, Comunidade Israelita de Lisboa, Igreja Católica, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons), Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, União Budista Portuguesa e União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia.

“Sem solenidade e com sublime indiferença à realidade da cidade e do país, a maioria relativa dos deputados levou a Assembleia da República a oferecer aos portugueses uma lei para morrer (ou matar?), a eutanásia”, apontam.

Uma posição que o grupo de trabalho inter-religioso e religiões-saúde apresenta após a entrega do documento na Assembleia da República numa altura em que as confissões religiosas se encontram “atordoadas pelo tsunami provocado pela pandemia em número de mortos e infetados”.

O parlamento aprovou sexta-feira a despenalização da morte medicamente assistida, com os votos de grande parte da bancada do PS, do BE, PAN, PEV, Iniciativa Liberal e 14 deputados do PSD e votos contra do CDS, Chega e PCP.

No total, votaram a favor 136 deputados, 78 contra e quatro abstiveram-se.

A lei aprovada no parlamento prevê que pode pedir a morte medicamente assistida, ou eutanásia, uma pessoa “maior, cuja vontade seja atual e reiterada, séria, livre e esclarecida, em situação de sofrimento intolerável, com lesão definitiva de gravidade extrema de acordo com o consenso científico ou doença incurável e fatal”.

Nestes casos, a eutanásia “não é punível” legalmente, “quando praticada ou ajudada por profissionais de saúde”.

Se o Presidente promulgar e a lei entrar em vigor, Portugal será o quarto país na Europa, e o sétimo no mundo, a legalizar a eutanásia.