Médicos do Tâmega e Sousa dizem sentir-se como em Itália

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Médicos do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) ouvidos pelo semanário Expresso reiteram que os hospitais que integram o centro, o de Penafiel e o de Amarante, se encontram perto da rutura, contradizendo a administração.

A Ordem dos Enfermeiros Norte denunciou esta quarta-feira a “situação insustentável” do Hospital Padre Américo, em Penafiel, apontando que às 22:00 de segunda-feira a área respiratória do serviço de urgência tinha 115 doentes, 29 dos quais com covid-19.

“Isto para quatro enfermeiros. O conselho de administração tenta gerir, conseguiu um reforço de enfermeiros a meio da noite, mas não é humanamente possível (…). A tutela tem de tomar uma decisão importantíssima e olhar para este hospital, o mais preocupante a norte, de forma incisiva”, disse à agência Lusa João Paulo Carvalho, presidente da secção regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros.

O presidente do Conselho de Administração do CHTS, Carlos Silva, reconheceu “uma afluência muito superior aos dias de pico da gripe”, mas disse ao semanário Expresso que “o anúncio do caos é absolutamente exagerado”.

No entanto, médicos ouvidos pelo jornal falam de uma situação de rutura, comparando-a àquela que viveram os hospitais italianos na primeira vaga da pandemia.

“Um serviço que não tem onde internar doentes, que todos os dias envia quase 20 doentes para outros hospitais próximos, cujos cuidados intensivos não servem sequer 5% do número de internados… Se isto não é rotura, o que é rotura? As paredes a caírem sobre nós?”, questionou ainda a especialista em medicina interna Ana Luísa Reis.