Peixeiras de Angeiras reinventam-se e entregam em casa devido à covid-19

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foto de facebook de Sónia Braga
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As peixeiras do Mercado de Angeiras, em Matosinhos, tiveram de se reinventar devido à pandemia de covid-19 e começaram, algumas delas, a entregar o peixe em casa dos clientes para evitar quebras maiores na faturação.

Apesar do “entra e sai constante” de gente no mercado, de frente para o mar, as peixeiras são unânimes em dizer à Lusa que as vendas baixaram entre 40 a 50%, muito devido ao fecho dos restaurantes, que ladeiam este espaço e as ruas daquela localidade piscatória, no distrito do Porto.

Para compensar essas perdas, algumas delas decidiram aventurar-se e fazer entregas em casa, publicitando o serviço na rede social Facebook que permite, dessa forma, que os clientes tenham à mesa peixe fresco e amanhado sem ter de sair de casa e à distância de uma mensagem ou telefonema.

Um desses exemplos é Sónia Braga, da Banca Jovem Unipessoal, que decidiu adaptar-se às circunstâncias do atual estado pandémico e criar, em setembro, uma página de Facebook.

“A tradição e o amor pelo mar de uma família de pescadores foram passados de geração em geração, concretizando-se na fundação da nossa banca”, explica.

As entregas ao domicílio são gratuitas e realizadas na zona do Grande Porto, afirmou Sónia Braga.

Além dos contactos, Sónia Braga disponibiliza, quase diariamente, um vídeo com o peixe que naquele dia tem disponível na banca.

“O objetivo é que as pessoas vejam as variedades que temos, que são ditadas diariamente pelo que o mar oferece, e possam escolher conforme os seus gostos”, referiu Sónia Braga à Lusa enquanto, atarefada, preparava encomendas.

Além disso, também dá “dicas” sobre determinadas espécies de peixes menos conhecidos e consumidos.

Falando em quebras na ordem dos 50%, a peixeira explicou que esta ideia surgiu depois de pessoas de fora do concelho não poderem ir até Angeiras devido à limitação de circulação aos fins de semana.

“Se as pessoas não podem vir até cá, nós vamos até elas”, frisou.

Esta nova ferramenta é uma “mais-valia”, assumiu, acrescentando ter conseguido conquistar novos clientes.

Em datas festivas, tal como aconteceu no Dia dos Namorados a 14 de fevereiro, a Banca Jovem Unipessoal cria cabazes com marisco a preços fixos para assinalar o momento.

Numa tela ilustrada e afixada no mercado lê-se “Somos Todos Bons Vizinhos” e que o diga Fernando Maia, da Banca Maria do Alívio, que também se dedica às entregas ao domicílio.

Contudo, esta modalidade não é nova para si que, já algum tempo, faz entregas, mas mais direcionadas a restaurantes e hotéis no Grande Porto e fora dele, como Guimarães, Felgueiras, Fafe ou Cortegaça.

Com os restaurantes encerrados, o volume de trabalho decresceu para cerca de 40 a 50%, assumiu.

Em contrapartida, há agora mais pessoas a pedir entregas em casa, cujas encomendas não têm valores mínimos, muito por causa da limitação de circulação, do confinamento e do receio de contágio, considerou.

À semelhança da “boa vizinha” da Banca Jovem Unipessoal, também a Banca Maria do Alívio partilha vídeos, curiosidades e até receitas na sua página de Facebook.

Apesar de se ter rendido às novas tecnologias, criando uma página de Facebook, Alice Jesus, de 71 anos, não se rendeu ainda às entregas ao domicílio, aguardando pela reabertura dos restaurantes para “animar” o negócio que “baixou um bocadinho” devido à covid-19.

“Há menos gente agora, sobretudo ao domingo”, comentou a peixeira.

Cristina Santos, da Banca da Isaura, fala em quebras, sobretudo na venda do marisco que rondam os 50%.

“Trabalhamos com muitas marisqueiras e, estando fechadas, é negócio que se perde”, contou.

Mas essas quebras também se sentem no “bolso das pessoas” que, segundo Cristina Santos, estão agora mais contidas e a optar por peixes mais baratos.

Mais baratos ou mais caros, o Mercado de Angeiras, aberto de segunda-feira a domingo, oferece várias variedades de peixes e mariscos, desde sardinha, carapau, lulas, linguados, rodovalhos, robalos, ruivos, camarão da costa, lavagante ou sapateiras.

E, como dizem as peixeiras, ao gosto do freguês.

(Lusa)

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