Projeto de estudantes do Porto e do Minho vai permitir mais doadores para o Banco Alimentar

0
141
Equipa Hunger Byte_imagem cedida pela organização da Eurekathon

Já são conhecidos os vencedores da segunda edição da Eurekathon, a competição de data science promovida pela Porto Business School, LTPlabs e NOS, que, este ano, contou com a parceria do Banco Alimentar Contra a Fome para serem encontradas soluções que potenciem e otimizem o trabalho da instituição por todo o país.

A “Hunger Byte” – equipa composta por seis alunos de engenharia da Universidade do Porto e Universidade do Minho – foi a grande vencedora desta segunda edição, com a criação de um modelo, que permite aumentar o número de doadores ao Banco Alimentar.

Com recurso à base de dados do Banco Alimentar e da NOS, e através do cruzamento desta informação com métricas sociais e demográficas, Catarina Rocha Leite, Bernardo Franco, Guilherme Pinheiro, João Azevedo, Luís Bulhosa e Pedro Machado, os seis amigos que formaram a Hunger Byte, conseguiram identificar o perfil do “potencial doador” e as freguesias do país onde há maior discrepância entre esses e o número de doações feitas ao Banco Alimentar.

A partir dessa análise, em menos de três dias de competição, os jovens estudantes desenvolveram um modelo prescritivo inovador capaz de chegar às freguesias onde há margem para aumentar os doadores e a quantidade de alimentos doada por cada doador, mas também o contrário, ou seja, aquelas em que não valerá a pena investir.

E mais: descobriram ainda que se o Banco Alimentar direcionar as suas campanhas de marketing, recorrendo ao envio de SMS e e-mail, de notas nas faturas da NOS ou de campanhas exclusivas para determinadas freguesias, conseguirá aumentar em oito vezes a capacidade de chegar a potenciais doadores, em vez de o fazer aleatoriamente.

Segundo Rui Coutinho, Diretor Executivo de Inovação e Crescimento da Porto Business School e um dos membros do júri da Eurekathon, “este é um programa de e sobre pessoas, de capacitação e talento exclusivo que usa e trabalha os dados com foco na criação de um mundo melhor. A Eurekathon tira partido da capacidade e criatividade de mais de 200 pessoas, que se dedicam voluntariamente a ajudar o Banco Alimentar para solucionar um problema com grande impacto social”.

Isabel Jonet, Presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome, destaca também que “muitas vezes, achamos que as instituições de solidariedade social se limitam a exercer caridade, levando apenas afetos e produtos, nunca nos lembrando que se trabalharmos dados podemos estar a contribuir para a resolução de um problema. Os Bancos Alimentares contribuem hoje para a alimentação de mais de 4% da população portuguesa, número que cresceu muito devido à pandemia. Se pudermos ajudar estas pessoas de uma maneira mais efetiva, com os dados que dispomos, todos ganham”.

Com o seu projeto, que juntou diferentes backgrounds das mais variadas áreas de engenharia, os seis vencedores da Hunger Byte conquistaram um prémio de dois mil euros, sendo que 400 euros serão doados a uma ONG. O grupo concorreu com mais de 200 participantes de diferentes nacionalidades, distribuídos por 28 equipas, que foram acompanhados por diferentes mentores de empresas como a Bosch, Farfetch, Sport Lisboa e Benfica, Talkdesk, entre outras.

A competição ocorreu virtualmente entre 5 e 7 de novembro e a apresentação dos seis projetos finalistas foi transmitida em direto no canal de YouTube da Eurekathon no passado dia 14.