As conveniências e o conforto de quem nos governa

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António Costa criou mais um facto político e jornalístico, de forma desnecessária e inusitada, mas que ilustra na plenitude a desgovernação a que todos estamos sujeitos. 

O anúncio viral do alegado “adiamento do aumento das rendas para quem tem menos capacidade de as pagar”, já produziu centenas de reações discordantes, justificados por dezenas de argumentos técnicos, e provindos dos mais variados quadrantes políticos.

Já todos entendemos que se trata tão só de uma vontade do Executivo em o Estado não honrar os seus compromissos com os Portugueses, convocando assim, de forma unilateral, desrespeitosa e provocadora, os senhorios a assumirem o papel da Ação Social, que deve caber ao próprio Estado. 

A argumentação já foi por demais explorada (haja em conta o ridículo da situação gerada), pelo que me abstenho de aprofundar a mesma. Quero apenas reforçar a necessidade de o Estado garantir a salvaguarda dos interesses dos nossos Cidadãos mais desprotegidos e vulneráveis… E não pode transferir essa responsabilidade para outros Cidadãos que, por sua vez, também se podem encontrar em situação vulnerável, sobretudo quando existe uma lícita expectativa (reforçada pela legislação), desse suporte caber ao Estado.

O que pretendo mesmo realçar é o padrão de (re)ação do “nosso” PM de forma subjugada à esquerda radical, ao longo da sua atuação governativa. Como pode o atual primeiro-ministro ter defendido uma posição com tanta “propriedade” em 2011, e vir agora defender o oposto? Pior ainda; porque não explica aos portugueses por que razão o faz? E porque não aproveita e explica ainda, de forma responsável e inequívoca as preocupações com o défice, à luz das políticas praticadas? E já agora, embora esteja segura de que o próprio não entenderia a diferença, porque mantém um registo de “governação” centrada nas necessidades da tática partidária?
 
Francis Bacon anteviu a minha atual sensação ao afirmar “Triste não é mudar de ideia. Triste é não ter ideias para mudar.”

Aos que possam identificar eventual rudeza nas minhas palavras, informo que é meu compromisso não me apropriar deste espaço para fazer oposição, mas tão só expressar a minha opinião. Contudo, não posso distanciar-me da firme convicção de que o País pode estar em rota acelerada de colisão…

Não tenho dúvida que o próprio António Costa entende a gravidade destas comunicações à população, de elevado cariz tático e populista, embora desprovido de razoabilidade técnica. Só assim se compreende que o Ministro das Finanças tenha sido “silenciado” desde o desastre político que proporcionou na última viagem aos Estados Unidos… Só assim se compreende que a última “pérola” da gestão governativa (imposto sobre poupança e património) tenha cabido à “porta-voz” Mariana, talvez a única incauta e disponível para anunciar tamanho erro e capricho tático do PM.

Relembro que já Martin Luther King defendia que “A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio”.

Emília Santos
Deputada (PSD) à Assembleia da República

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