As raízes de aço de Rui Rio

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Numa edição da Verso da História, foi lançado esta quinta-feira, na Fundação Eng.º António de Almeida, no Porto, o livro de Carlos Mota Cardoso – “Rui Rio – Raízes de aço”, com prefácio de Eugénio Lisboa.

A apresentação esteve a cargo de Paulo Rangel que aludiu às essências do homem, do cidadão e do político.

Numa apresentação pretensamente erudita, o eurodeputado social-democrata, convocou para a sua alocução, referências várias que se estenderam desde a mitologia Grega, ao pensamento pós-modernista, passando pelo humanismo renascentista e pelo romantismo literário.

Sem nunca falar do perfil presidenciável de Rui Rio, Rangel, não conseguiu disfarçar a sua vontade de o ver envergar o fato de candidato, quando chamou à colação os seus carismas essenciais de republicano, cujo pensamento e acção política, segundo o eurodeputado, são os mais adequados às necessidades do país, hoje.

Carlos Mota Cardoso, na sua condição de autor do livro, partilhou com a audiência que lotava por completo a sala, as respostas que tinha para dar, às muitas questões que a propósito deste livro, lhe tinham endereçado nos últimos dias.

Rio&Rangel&MotaCardoso -Foto Jose Tome

A resposta que a meu ver acabou por marcar o momento, foi aquela em que Mota Cardoso citou Ortega Y Garçet, para significar que Rio, como qualquer outro, é e será também ele próprio, “o homem e as suas circunstâncias”… Partindo dessa premissa, o autor deixou no ar a ideia que poderão ser as circunstâncias e a sua força, a gerar a vaga de fundo que pode levar Rui Rio a não ter escapatória, ao dever que dá sentido a todas as especulações futurologistas.

Numa primeira leitura, ainda que muito na diagonal, pude descobrir um estilo de escrita inovador, que consegue cruzar relatos precisos, com passagens marcadas por um certo ar romanesco, e narrativas em jeito biográfico, que resultam numa fusão de géneros e técnicas de escrita, verdadeiramente capaz de prender o leitor até à última página, quiçá na ânsia de descortinar o que vai no pensamento de Rui Rio, em relação ao seu futuro pessoal, e ao nosso futuro político colectivo.

Mota Cardoso faz desta obra, assim como uma espécie de “divã de psicanalista” literário, onde senta distendido, o paciente Rui Rio. E como o próprio autor afirmou, analisa, estuda e procura compreender, ensaiando uma crónica longitudinal, em que o autor descreve à volta do seu “objecto” de observação, círculos concêntricos a esse objecto, como se fosse uma abelha a rodar em torno do favo, para poder descrever uma visão holística e diametral de 360 graus.

No evento, além de jornalistas, de entre os quais se destacava Nassalete Miranda, do jornal “As Artes entre as Letras”, encontravam-se igualmente familiares e amigos. Mas foi também notória a presença de várias figuras gradas do PSD, como Bragança Fernandes, ou do CDS, como foi o caso de Álvaro Castelo Branco, além de muitas outras personalidades nortenhas de dimensão nacional.

 

Victor Dias

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