Caiu um preconceito estúpido e profundamente injusto

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Por essa Europa fora há imensos exemplos de cidadania plena, em que as pessoas, independentemente da sua condição física ou económica, exercem plenamente os seus direitos cívicos, participando proactivamente na vida pública, política e social.

Em Inglaterra houve, não há muito tempo, um Ministro da Segurança Social que era cego.

Na Alemanha, o Ministro das Finanças é paraplégico, sem embargo de ser o homem forte do Governo Alemão e até do Euro-grupo.

Portugal

Depois de quarenta anos de Democracia, em Portugal cai finalmente um preconceito estúpido e injusto, profundamente injusto.

Ana Sofia Antunes, jurista de profissão, é Secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência, cargo político que exerce a convite do Primeiro-Ministro, certamente, por lhe ter reconhecido competência e mérito.

Lamentavelmente, já ouvi os comentários mais infelizes a respeito desta nomeação. Uns por despeito de não terem sido capazes de um gesto tão normal como corajoso, outros por mero preconceito social, e outros ainda por legítima defesa, como forma de esconder a sua incapacidade cívica e menoridade intelectual.

Não conhecia Ana Sofia Antunes, mas nas entrevistas que já deu, a vários órgãos de comunicação social, face ao mediatismo que adquiriu assim que chegou ao Governo, tem demonstrado ser uma mulher inteligente, determinada e muito segura das suas capacidades e sentido do dever. Capacidades que se agigantam, fruto de uma experiência de vida, em que se habitou a fazer das tripas coração, para vencer os obstáculos e adversidades, e provar pelo trabalho, todo o seu valor.

Ana Sofia Antunes

Como já expressei opinião neste jornal, tenho sérias dúvidas, a respeito da validade do “processo democrático” utilizado pelas forças políticas que resolveram viabilizar o atual Governo. Mas não tenho nenhumas dúvidas que Ana Sofia Andrade fará um bom trabalho na sua Secretaria de Estado, demonstrando o quão tardia foi esta maioridade da Democracia em Portugal, em fazer cair um preconceito que não é compaginável com o nosso estatuto de país membro da União Europeia.

Espero que a partir de agora, exemplos como este, deixem de ser notícia, e passem a uma normalidade digna de uma sociedade que se quer democrática e civilizada.

 

Victor Dias