Construir eleições

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Eleição Votar
foto de arquivo
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1.- As eleições, e muito mais autárquicas, não são o momento da votação. As eleições constroem-se, cultivam-se, enamoram-se, são vida presente na participação consecutiva das populações. Todos os meus leitores já se aperceberam de qual a minha opinião, quanto à permanência dos atuais executores em cargos políticos, na Maia, pois digo que devem ser substituídos, dando lugar a novas caras, pensamentos e ambições. Não é, porém, disso que hoje queria refletir convosco. Mas da construção do ato eleitoral, em que votamos, qual o sentido de cidade, de concelho. Como vemos a construção dum programa eleitoral, nas autárquicas, claro. Alguém diria um dia que, “a campanha para as eleições começam no dia seguinte ao ganho de anteriores eleições”, e tem razão. Pelo que se faz, mas muito mais pela perspetiva e prospetiva que se dá ao que se vai fazer. Um programa eleitoral, que se faz num “fim-de-semana”, envia para a gráfica, distribui na semana seguinte e arquiva-se assim que acaba o ato eleitoral, não é um programa eleitoral, mas um documento inútil.

2.- As eleições constroem-se, vão tendo ânimo na medida que a democracia participativa é o resultado da atuação política. Quem se lembra na Maia dos programas eleitorais para as autárquicas passadas? Talvez nem aqueles que os fizeram! Isto descredibiliza os atos eleitorais, porque desenraíza as populações dos seus quereres, dos seus sentimentos, das suas razões de esperança. Depois não vão às urnas, por que consideram este ato [ir às urnas] inconsequente e desnecessário. Porque não confiam, “é sempre o mesmo”, dizem. Têm razão! Um ciclo que se repete, com mais cartaz ou menos cartaz, mais programa ou menos programa, mais promessas ou menos promessas. As eleições não são construídas, mas corroídas por vícios de viciados naquilo que dizem ser a política. Mas a política não é isso, é o servir, e isto tem sempre um tempo, para dar lugar a outros. Desengane-se quem quer fazer da política a “sua profissão”, é sinal que nada mais sabe fazer.

3.- Por isso as eleições constroem-se pela capacidade que cada um tem de se dar aos outros. Porque é esse “dar” durante os tempos, que consegue felicitar o cidadão, requerer a sua cidadania, a sua participação nos atos eleitorais, certamente, mas, também, nos atos que somos chamados a viver em cada instante. Isso nem sempre é assumido com clareza, e na Maia não tem sido, com todos os atores políticos, quer sejam poder, quer sejam oposição, por que não transferem para o cidadão o discernimento e pensam na “sua iluminação” como se fosse imorredoira, pobretanas no pensamento e no caminho que conduz ao nada e o “nada” tem sentido porque destrói a multiplicidade.
Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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