Conversas de café no Parlamento

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Incrédulo e indignado, assisti pela televisão ao debate em que o Ministro das Finanças foi protagonista, na comissão parlamentar de economia.

Lamentavelmente, nem o governante, nem os representantes dos partidos, quer os da maioria de esquerda, como os da oposição, estiveram à altura do que o país espera e precisa que todos eles façam.

Em vez de aproveitarem o facto de terem ali o responsável pelo orçamento do Estado, e colocarem ao Ministro das Finanças, questões concretas sobre os impostos que vão dificultar a competitividade das empresas, que vão penalizar aqueles a quem Costa decretou designar como ricos, porque auferem 2000 euros, ou questionarem onde é que o Governo vai arranjar dinheiro para satisfazer as exigências da Comissão Europeia e ao mesmo tempo calar a boca ao Partido Comunista, ao Bloco de Esquerda, aos Verdes e ao PAN, estiveram todos entretidos com uma conversa da treta, cheia de lugares comuns e troca de acusações sem substância.

Mário Centeno chamava um deputado à Terra, algumas deputadas acusavam a oposição de falta de moral para perguntar o que quer que fosse, e a oposição respondia que a maioria de esquerda estava a fazer um acto de contrição. Só faltava o empregado de mesa, a trazer cafezinho e água com gás e limão para todos, enfim, que pobreza franciscana…

Como cidadão e democrata convicto, confesso que fiquei desiludido. Uma desilusão que não deixa ninguém de fora, porque na verdade foram todos basicamente iguais uns aos outros, quer dizer, de uma vulgar trivialidade que não se pode aceitar na Casa da Democracia.

Triste realidade

Resta-me a ténue consolação de constatar que este empobrecimento da qualidade dos políticos é em si mesmo muito democrático, e revela uma prevalência que não escolhe direita, esquerda ou centro. É uma confrangedora e triste realidade que se dissemina por todo o espectro político-partidário, e tem no Parlamento, um dos seus mais preocupantes focos.

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Bem me custa ter de expressar este sentimento, pois sei bem que o momento que vivemos, reclama da cidadania, muita paciência com a classe política. Mas sejamos razoáveis, transformar um debate político que podia ajudar a clarificar um documento estratégico da política governativa, numa banal conversa de café, dói a qualquer cidadão.

Para quem é representante eleito do povo, é curto, muito curto, perder o tempo útil de uma comissão parlamentar, com conversas que todos podem ter em qualquer café. Não foi para isso que os elegemos, nem é para isso que têm condições e estatuto que lhes permite um desempenho com uma qualidade que cumpre os mínimos. Será pedir muito?…

Victor Dias

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