Que Cultura na Maia?

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1.- A Cultura é um dos quatros pilares do Desenvolvimento Sustentável, a par com o económico, o ambiental e o social. Já o australiano John Hawkes (2001), na Conferência de Joanesburgo o fazia sentir e propor e o presidente francês Jacques Chirac o assumiu no Rio+20. Também no Brasil Ana Carla Fonseca, a brasileira que publicou o livro “Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável”, o defendeu. Assim como Leonardo Boff (2012) continuava em cruzada, enquanto, presidente da Carta da Terra, pela cultura, mais, por um desenvolvimento da ecologia cultural, o que significa uma abrangência relativa a todos os seres vivos. Na Cimeira de Paris (2015) o presidente do Fórum Mundial do Ambiente, Amálio de Marichalar, veio afirmar que a cultura é a “maior herança da sociedade”. Papa Francisco na encíclica Louvado Sejas, também vem falar a todas as mulheres e todos os homens na ecologia cultural, até como contraponto ao antropocentrismo. A lista dos defensores da cultura enquanto quarto pilar da sustentabilidade poderia ser mais imensa, mas resta-nos ficar por aqui.

2.- “A necessidade de intercâmbio, conhecimento e experiências, a nível local, regional e global” é um dos compromissos da “CARTA DE LEIPZIG SOBRE AS CIDADES EUROPEIAS SUSTENTÁVEIS” (2007), a que penso o nosso município da Maia terá aderido, e se não o fez, fez muito mal, mas acredito que o fez. Esta importância de transpor para o “local” as boas práticas de outras cidades, ou da Maia com outras cidades, levará a que o “global” não fique deserto de ideias e práticas. Assim se tornam as cidades conhecedoras e que partilham o que de melhor fazem. Este intercâmbio visa fundamentalmente o desenvolvimento holístico da pessoa, dos seres vivos, e a sua proteção, por que enquanto as pequenas sociedades não se tornarem um “todo”, numa grande comunidade humana e ecológica, de relação dos seres vivos entre si, que são insubstituíveis, não se encontrará a vida e a valia da sua sustentabilidade.

3.- A Cultura de um local, país, região ou do município da Maia, é o encontro de si própria, não com “ranchadas” de antibióticos, tornando as pessoas imunes aos vírus de “culturas”, como se vê “por aí além”, mas com a participação das várias culturas, na globalidade dos pensamentos. Truncar isso é decepar o desenvolvimento, por que a cultura é de facto a base da sociedade. Também fazer reportar campanhas de “cultura” para agradar a uns tantos votantes é destruir, não só o futuro, mas sempre o futuro-presente. Mal irá a Maia, e os seus habitantes, se a Cultura não for a grandeza das suas gentes. Mal irá a Maia, se a Cultura não se traduzir por “local” e “global”, por que não somos ilha de ninguém. Basta sabermos se do nosso povo irmana ou não os sentimentos de repor a Cultura aos seus decisores.

Joaquim Armindo
(Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental)

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