Opinião – Tiago Silva: Cortar a direito

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Como militante social-democrata, participativo e preocupado, vivo com redobrada paixão e preocupação a época que o meu partido atravessa. Nas últimas eleições directas, contra a opinião de muitos, apoiei Pedro Santana Lopes e sinto, hoje, que a história veio demonstrar que estive do lado certo. Depois do desaire eleitoral que o PSD sofreu, tornou-se evidente que o rumo das coisas teria necessariamente que ser alterado, sob pena de o partido definhar para o seu interior, deixando o país órfão de alternativa e afogado na catástrofe socialista que sobre nós se tem abatido. Como timoneiro dessa alteração candidatam-se três rostos com três diferentes (umas mais do que as outras) propostas para alterar o rumo dos acontecimentos, obrigando os militantes, até ver, a pronunciarem-se entre a escolha entre Passos Coelho, Aguiar Branco e Paulo Rangel.

A escolha por um deles obriga, antes de mais, à análise individual de cada um.

Pedro Passos Coelho não é nem pode ser o meu candidato. Não pode ser o meu candidato porque politicamente não me identifico com as bases do seu pensamento nem, ou ainda muito menos, me identifico com o seu estilo. O seu pensamento liberal afasta-se do social-democrata que eu sou, preconiza um sistema que ruiu e esquece que um estado não interventor não é um estado não regulador e muito menos não fiscalizador. A sua obsessão pela liberdade económica e para a acção do estado como um injector de recursos em prol do mercado como um fim em si e não como um meio torna-o uma cópia de José Sócrates, e que os aproxima de certos poderes económicos cujos interesses, totalmente legítimos do ponto de vista individual, afastam-se totalmente, a meu ver, do interesse público.

Para além disso, não obstante o seu liberalismo económico, cede com facilidade a bandeiras tipicamente bloquistas que, estando nas antípodas das minhas convicções, abarcam somente alguns descontentes sem qualquer tipo de substância política.

O seu estilo é também ele uma cópia do actual primeiro-ministro, quer no que toca à imagem quer no que toca ao percurso, não se conhecendo obra de serviço público que releve, mas com um ar jovem e irreverente capaz de atrair aqueles que querem mudar independentemente de e para quê.

Aguiar Branco, podia ser mas não é o meu candidato. Podia ser porque é um homem recto, leal, confiável e social-democrata. Tive o privilégio de o ter como patrono a quando do meu estágio e aprendi com ele que um homem tem como limite à sua cedência a própria coluna vertebral. É um excelente advogado, tem obra feita na sociedade civil, desempenhou importantes cargos públicos e tem a coerências e verticalidade que hoje em dia se vai perdendo. José Pedro Aguiar Branco teria, sem qualquer problema o meu apoio se os candidatos fossem só ele e Passos Coelho e, quase de certeza, daria um excelente primeiro-ministro se ganhasse umas eleições legislativas.

No entanto não é o meu candidato porque, não obstante as suas, que são muitas, qualidades, é um quadro que não teria facilidade em passar junto das pessoas e ter muita razão sem poder algum torna essa potencialidade um desperdício. É vital para Portugal que o PSD volte ao poder e “ponha as coisas em ordem”, Aguiar Branco é um incontornável nome para participar nessa mudança mas não é, com certeza, a pessoa capaz de mobilizar, motivar e garantidamente liderar o percurso de regresso ao poder.

Por último temos Paulo Rangel que é, obviamente o meu candidato. Tem a verticalidade, coerência e social-democracia de Aguiar Branco, move-se pelos melhores propósitos e é uma força da natureza capaz de mobilizar tudo e todos atrás do projecto do PSD para o país. Tem provas dadas, foi o melhor professor que conheci em toda a vida, trabalho cívico e profissional, é dos mais inteligentes da sua geração, está preparado e já provou que ganha eleições.

Nesta escolha para líder do PSD a mudança é o termo comum aos três candidatos. Mudar é vital mas tão importante é mudar o estilo do actual PSD que, há excepção das eleições europeias, a nível nacional, tantos desaires nos tem trazido, é também é necessário mudar em relação ao que tem sido o estilo da actual governação que tantos desaires tem trazido ao país.

A meu ver a mudança só pode ser com ruptura que corte a direito, e só pode ter um nome, Paulo Rangel.