“Deus, Religiões, (In)Felicidade” Um livro inspirador

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O título que Anselmo Borges deu a este livro, denota desde logo, o modo muito próprio como o autor entende as três realidades a que alude nesta obra. Realidades sobre as quais reflete profundamente, que são indissociáveis, mas que nem sempre podem ser tratadas no mesmo plano.

O autor, olha o Mundo em que vivemos, interpelando-nos sobre o sentido da religião neste tempo que é o nosso, questionando-se e questionando-nos, se ainda há lugar para ela?

Anselmo Borges vai fundo na reflexão que faz, sobre a leitura dos sinais dos tempos, que a Igreja realiza e na adequação da sua evolução à Humanidade no século XXI.

Deitando mão dos seus doutos saberes, o autor, fundamenta a sua escrita em fontes com origens diversificadas, quer do ponto de vista histórico, cultural e filosófico, como eminentemente religioso.

Como tem sido apanágio em quase toda a sua escrita, há uma centralidade de pensamento que se instala também nesta obra, refiro-me às recorrentes interrogações que a Humanidade sempre se colocou e que ele recupera novamente neste livro: – “quem somos, de onde vimos e para onde vamos?”.

Com o desassombro, simplicidade e clareza que são seu timbre, propõe-nos respostas esclarecidas e fundamentadas, sem escusa de um diálogo aberto, franco e sério, com o leitor.

Anselmo Borges apresenta um conjunto de textos plenos de interesse, que estrutura agregando-os em temas fundamentais, à volta dos quais desenvolve as suas reflexões: – “O Enigma: a Morte e Deus, O Diálogo Inter-religioso, O que Traz Felicidade?”.

A sensibilidade crítica do autor, a forma e principalmente o conteúdo desta obra, fazem dela, a meu ver, um livro indispensável, para quem deseja procurar compreender melhor o Mundo, a sua existência nesse contexto, e a relação com o inefável, na busca da felicidade, ajudando-nos porventura, a discernir sobre o que pode estar na origem do seu contrário, a infelicidade.

O que mais me toca, é a honestidade intelectual de um homem profundamente religioso, que partilha connosco a sua imensa sabedoria, preservando sempre a lucidez de afastar o preconceito teocêntrico que por vezes tolhe a razão e a compreensão sensível, impedindo-nos de discernir e apartar, o que é domínio da Ciência e da Cultura, de tudo quanto a transcende, e é dimensão do simbólico e território espiritual da Fé.

Anselmo Borges ajuda-nos a encetar com ele esta reflexão, com uma Liberdade de pensamento, que muito respeito e admiro, facto pelo qual recomendo vivamente a leitura desta sua obra. Um livro que nos impele a uma leitura contínua, face à riqueza do conteúdo de textos repletos de significado que provocam no leitor uma curiosidade, ou melhor, um desejo de com o autor, encontrar respostas para as dúvidas, para os dilemas e inquietações que a todos se nos colocam ao longo da vida.

Importa certamente conhecer um pouco do percurso de vida do autor, pelo que vos deixo algumas notas que me foram facultadas pela Helena Rafael, da sua editora, a Gradiva.

Anselmo Borges é padre da Sociedade Missionária da Boa Nova. Estudou Teologia (Universidade Gregoriana, Roma), Ciências Sociais (École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris), Filosofia (Universidade de Coimbra e Tubinga). Leccionou Filosofia e Teologia na Universidade Católica Portuguesa e no Seminário Maior do Maputo.

Docente de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, regendo nomeadamente as cadeiras de Antropologia Filosófica, Filosofia da Religião e Ética e orientando um seminário sobre Mulheres e Religiões no Mestrado e Doutoramento em Estudos Feministas.

Tem diversas obras publicadas, como: Janela do (In)visível, Religião: Opressão ou Libertação?, Morte e Esperança, Corpo e Transcendência, Deus no Século XXI e o Futuro do Cristianismo (Coord.), Janela do (In)finito, Religião e Diálogo Inter-Religioso. É colunista do Diário de Notícias sobre temas religiosos.

Victor Dias

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