Escolas Privadas

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Alunos a caminho da escola
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1.- A recente decisão do governo de rever os financiamentos das escolas privadas, tem sido objeto de contestação pelas mesmas, encarregados de educação e alunos. Recordo-me dos meus primeiros passos escolares. Naquela altura os jardins infantis e creches não existiam ou se os havia eram privados. Eram para outros que não eu. De seguida entrei na escola primária, esta privada, mas onde os meninos – meninas não, porque não era permitido – começavam por ser os mais pobres, também os ricos tinham assento, mas não comiam na Cantina Escolar, nem tinham roupas pelo Natal, isso era para os mais pobres. Esta escola, a do Torne, vivia de donativos e os mais ricos pagavam, e não existiam escolas primárias estatais em número suficiente. Não existia liceu em Gaia, só uma Escola, a Industrial e Comercial de Vila Nova de Gaia. A professora primária preparou-me gratuitamente e fiz admissão à única escola que só os “remediados” poderiam frequentar, porque os mais pobres tinham de trabalhar, para o sustento da família.

2.- Nessa altura também existiam escolas, em Gaia, privadas, que sem subsídios nenhuns viviam do que os pais dos alunos pagavam. Ainda, hoje, por lá existem a funcionar, não sei se com o apoio do Estado. Todos os pais gostariam que os seus filhos tivessem o “percurso escolar” que quisessem, mas não era assim. Como é evidente deixa-se às famílias a decisão de os filhos frequentarem o ensino público ou privado, só que este é pago na totalidade. Direito de escolha. No público também se paga, mas menos. Não estou em nada arrependido dos meus filhos terem ido para o público, com bons professores, do melhor que há, a quem estarei sempre grato pelo magnífico trabalho. Não sei por isso em que é que o ensino público é menos interessante. A menos que não exista ensino público que dê respostas.

3.- O direito de escolha é universal, todos o podem fazer. Se sou internado num hospital público, porque não sou num privado? Se uso transporte público, porque não vou num táxi? Temos todos o “direito de escolha”? O Estado – que somos nós -, que pague. Poderia aqui ter uma infinidade de outros motivos de escolha, mas não é assim, o Estado tem obrigação de garantir todos os cuidados, educação, saúde, justiça e tantos outros, por meios próprios. Se este não existirem então os privados avançam e o Estado deve pagar, caso contrário não deve ter lugar o pagamento a privados, que, legitimamente, investem para lucrar. Digo legitimamente nesta sociedade de mercado e permanente competição. Vejam-se os mercados legítimos, que a economia que mata inventa e depois denuncia. Escolas privadas que existam, que lucrem, mas não à custa do definhamento do ensino público.
Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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