Fumo e fogo na banca portuguesa

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Banif
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Não sou economista, mas sou cidadão atento e participativo, e como tal gosto de me informar e ficar alerta com os assuntos que me despertam interesse, mormente com aqueles que mexem no bolso dos cidadãos contribuintes.

Como certamente os leitores bem se lembram, o colapso do BPN e do BPP começou nuns ténues rumores e acabou no descalabro que depois se viu. A cada notícia cumpria-se aquele adágio popular – “cada cavadela cada minhoca”.

Mais recentemente, voltamos a assistir ao mesmo filme de terror com o caso BES, que também teve início numas notícias avulsas, que entretanto se foram adensando e completando um “puzzle” que explicou o desmoronamento do império da família Espírito Santo. Uma tragédia financeira que levou para a miséria muitos incautos que foram literalmente enganados. Outros, porventura, nem tanto…

Como se não bastasse já, ainda houve espaço para voltarmos a ser surpreendidos por mais uns “zun-zuns”, que falavam de uns poucos milhões, para logo mais à frente, se começar a abrir a boca, quando a conversa já ia numas centenas, a caminho dos milhares de milhões, com o vergonhoso caso do BANIF. Mais uma história daquelas em que ninguém sabe, ninguém viu, ninguém deu conta de nada, nem o Estado que se havia tornado no principal acionista.

A fumegar, ao que parece, também já está o MONTEPIO, onde os trabalhadores já temem pelo seu futuro e vivem numa instabilidade profissional que os tolhe e faz temer o pior, quer dizer, o despedimento.

Para engrossar o ramalhete, além das muitas dúvidas que ainda pairam sobre a saúde do Milénio, começa igualmente a cheirar a queimado, ou melhor, a esturro, na Caixa Geral de Depósitos. Banco do Estado, onde também já se fala em despedimentos.

Há umas semanas, alguém com responsabilidades, lá ia timidamente falando em qualquer coisa como 500 milhões de buraco. Agora, já estamos nos 4000 e tantos milhões, ou seja, a tão propalada recapitalização da banca portuguesa no seu todo, ao que dizem os entendidos, ascende aos 12 mil milhões de euros. Isto é, até ver, porque a procissão ainda vai no adro.
Aquilo que sempre começa por ser apenas fumo, cedo ou tarde, vira labaredas. E a banca portuguesa não escapa a esta predestinação.

Quem vai pagar as favas?

Claro, como sempre, o contribuinte. Sobretudo o contribuinte que vive dos rendimentos do trabalho, quer dizer, aquele cidadão que não pode de modo algum escapar às garras do fisco.
E o que vai acontecer ao Governador do Banco de Portugal?

E aos banqueiros e gestores que foram responsáveis por esta tragédia económico-financeira?
E para onde foi todo esse dinheiro que falta no buraco da banca?

Inquéritos parlamentares e judiciais, investigações dos reguladores, análises dos auditores externos, independentes e imparciais, fazendo embora tudo o que legalmente se impõe, nunca dá em nada de eficaz e consequente… É Portugal no seu “melhor”!…

Temo, mas temo muito seriamente que caminhemos outra vez e a passos largos para a bancarrota, e bem rota…

E a primeira consequência do estado atual da banca nacional é a desconfiança que se abateu sobre ela. E em economia, a confiança é o fator psicológico mais crítico. Demora muito a construir, mas uma vez destruída, torna-se quase irrecuperável.

Proponho que o Estado abandone a designação de contribuintes e passe a adotar a designação de bombeiros, para se referir aos cidadãos que vivem honestamente do seu trabalho e rendimentos, enchendo os tanques das finanças públicas, com os quais se apagam estes colossais fogos.

 

Victor Dias

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