Guerra: Uma tesoura

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Tesoura
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1.- Nice enche-nos de tristeza. Mais tristeza por que situações destas vão tendo um ritual. Parece que nos habituamos a viver no terror, eu não queria que as pessoas vivessem em terror. Já temos tantos terrores – e, consequentemente, tanto terrorismo – que vamos aprendendo, horrorizados, a viver e a sentir o terror. Vamos construindo histórias sobre o terror, as pessoas que fazem o terror, como se a vida fosse isto. Sei que existem milhares de polícias e militares em França, e já vão treinar a população, para obstar ao terror, ao terrorismo. Não quero ter certezas, mas não me parece ser este o caminho. Terror atrai terror. Guerra atrai guerra. Estamos há milhares de anos em guerras consecutivas. Vejam a guerra entre Lisboa e Bruxelas, estes querem mais 0,2% do nosso PIB, como castigo, como se fossemos terroristas. Vejam uma extrema-direita contra quem quer paz – os emigrantes -, a ganhar terreno, como se estes fossem terroristas. Vejam tantos missionários que levam o Evangelho na mão, a serem mortos, como se estes fossem terroristas. Vejam a guerra dos mais pobres, oprimidos e subjugados, a serem denunciados por não poderem com mais austeridade, como se fossem terroristas.

2.- A guerra tradicional também está no terreno. Nós destruímos povos, por que assim seria melhor. Países sem democracia, a quem tiramos o direito de ter democracia. Os fanáticos são um produto da nossa conduta. Desesperados encontram na ponta da espingarda o que lhes dará afirmação para nos dizer que a sociedade assim não pode ser. Desesperados encontram um deus, que nós lhes mostramos. Desesperados encontram o fanatismo, noutros fanáticos que lhes disseram qual o caminho. Desesperados esperam encontrar um céu, onde não está, mas nós dissemos que estava.

3.- Na frente da guerra da Síria, Líbia e outros, existe um avanço contra os exércitos do dito “Estado Muçulmano”, o “califado”, parece que estaremos a vencer, mas não será assim. Do ponto de vista militar o efeito de tesoura, de tenaz, onde apertamos o Estado Muçulmano, possui combatentes, uns morrem, outros fogem para o outro lado da tesoura. Nesse lado está Nice e a brutalidade que aconteceu. Se foi em nome próprio e não de uma célula, pior ainda: quererá dizer que muitos “estados” estão a formar-se por “causas”; se foi pelo Estado Islâmico, sempre sabemos os ordenantes. Mas existem outros “califados”, que lutam por um alá, que se chamam os senhores do dinheiro e da guerra. Nice não existirá jamais se formos capazes de construir uma nova terra, de Justiça e de Paz. Fica a reflexão.
Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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