Inovador paradigma

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Estátua do Lidador, Maia
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1.- O 25 de abril trouxe um inovador paradigma no respeitante às autarquias locais. Desde logo os órgãos locais são eleitos pelos cidadãos, ao contrário de que tinha sido até aí, eram nomeados. Esta relação de gestão da coisa pública revelou-se na atenção da cidadania pelos munícipes e fregueses. Estes passariam a ser “acionistas”, “clientes” e “proprietários”. Não deveria existir, então, estratificação do serviço público a este nível. Os poderes são destruídos e por influencia da cidadania em constante participação, as pessoas fariam de si próprias os detentores do servir. Se serviam localmente, no entanto, pensavam globalmente. Porque cada autarquia não é uma ilha isolada, ela vive das confluências de todas as outras ao seu derredor. Mais: ainda é sujeita a um todo internacional e cósmico que não a pode deixar indiferente. Uma interação não musculada, mas cultural. Quando uma cidade não possui uma cultura, advinda da sua história, reduz-se a determinadas conexões furtuitas. Como um certo querer estar em vexame forjador de angústias, que determinados fomentadores de “culturas” atiram como apanágio de si próprios, até para a sua sustentação, estamos perante a perenidade de poderes.

2.- A perenidade de poderes, que não é serviço nunca, produz uma incapacidade de pensar global. Até porque os poderes servem indivíduos que se perpetuam em anti dinâmicas. Ao não pensar global, não se atua local, mas o epicentro está construído em esculturas corrompidas pela azáfama de bem estares pessoais, indignos da sociedade em que vivemos. O pensar em si próprio é tradutor de fantasias carnavalescas – sem ofensas ao Carnaval. É um estar, não estando. Um fomento, não fomentando. Um desenvolvimento, não desenvolvendo. Porque a capacidade está em si, não na atuação global. Quantos mais anos, quantos mais vícios. Por isso já não é serviço, mas tentáculos de polvos misturados com frustrados. Realmente é uma frustração alguém pensar ser insubstituível. Nem faz, nem deixa fazer.

3.- Daí que venha a defender que para as autárquicas da Maia outros nomes apareçam, a fim de não cairmos na desgraça dum quotidiano feito pelas trapaças de quem pensa ser insubstituível. O servir local, pressupõe uma cultura popular, que não popularucha, um pensamento outro, tal qual depois do 25 de abril, com um inovador paradigma. Quem faz do seu “eu” uma profissão política é antítese da política, querer suportar-se no poder, porque já nada sabe fazer mais nada. Uma negação de si próprio. Há um tempo para tudo, e as pessoas que têm este paradigma do “serviço” sabem, mas as que detonam em suas cabeças os caprichos do “mando” deturpam e são bajuladoras. Na Maia os munícipes e os fregueses começam a ser governados por poderes instalados e não pelo serviço aos outros. Urgente se torna travar esta usurpação.

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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