João Álvaro Rocha evocado na Maia da forma mais nobre

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Através da realização do Campus de Arquitetura que teve lugar na Maia, entre 27 e 31 de Julho de 2015, sob os auspícios da Câmara Municipal da Maia e da Universidade de Navarra, a que se associou a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, o saudoso Arquiteto João Álvaro Rocha, desparecido em 2014, foi homenageado e lembrado da forma mais nobre que um pensador do espaço e do tempo o pode ser.

Ao longo de uma semana de trabalho intelectual, docentes e discentes, equacionaram problemas e desenvolveram propostas de soluções, que resultaram na produção de substantivo conhecimento reprodutivo cuja utilidade vai perdurar para além do exíguo tempo em que ocorreu o Campus.

Este verdadeiro “Think Tank” revestiu-se de elevado nível académico-científico, bem patente na qualidade dos trabalhos finais, apresentados na sessão pública de encerramento, que teve lugar na Quinta da Gruta, integrada no Complexo Municipal de Educação Ambiental, espaço onde é visível a concretude do trabalho de requalificação arquitetónica dirigido precisamente pela mão de João Álvaro Rocha.

Para além das visitas e do trabalho realizado em atelier, os participantes tiveram oportunidade de assistir a conferências públicas, de entre as quais se destaca a proferida pelo Arquiteto Francisco Mangado, uma referência da Arquitetura Ibérica a nível mundial, que aludiu ao homenageado considerando-o igualmente nessa qualidade de grande referência internacional.

Também José Carlos Portugal colega e velho companheiro de João Álvaro Rocha, deu testemunho emocionado e fundado numa forte relação de amizade, sublinhando com particular ênfase as virtudes que ao longo dos anos de vivências comuns foi conhecendo e reconhecendo ao seu amigo.

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O relator dos trabalhos, fez para a organização uma súmula do que de mais significativo ficará para a posteridade, como memória desta organização que irmanou no seu objetivo crucial, arquitetos de matriz cultural ibérica, e que aqui nos permitimos verter, mesmo sem tradução, por considerarmos desnecessário:

-“ALVARO ROCHA 2015.
RECUPERACIÓN Y MEJORA DEL BARRIO DE SOBREIRO

Gracia a la Cámara de Maia se ha podido desarrollar este Campus Joao Alvaro Rocha 2015 en esta Quinta da Gruta, que pienso que ha cumplido sobradamente con los objetivos planteados y las expectativas despertadas.

Campus Joao Alvaro Rocha 2015 nos ha permitido alcanzar cuatro metas:

Hacer un homenaje a Joao Álvaro Rocha, que es lo que no reúne aquí a fin de cuentas. Hicimos en Noviembre un homenaje en Pamplona y era necesario hacer un homenaje en Portugal a uno de sus mejores arquitectos contemporáneos; y que mejor homenaje que trabajar en Maia intentando continuar su dedicación a esta ciudad.

En segundo lugar hemos podido llevar a cabo un trabajo serio, de gran interés para Maia; para nada ilusorio, o fantasioso sino desarrollado con un realismo que busca la excelencia, y con indudable proyección social, que es otra de las notas que deben ser propias de este Campus acorde con el modo de trabajar de Rocha.

En tercer lugar hemos podido contribuir a la formación de estas jóvenes promesas de la arquitectura, que han aprendido mucho trabajando para Maia en la elaboración realista de esta propuesta de mejora del Barrio de Sobreiro; pero que han aprendido también mucho en las visitas a las obras de Rocha que hemos hecho, desde la del primer día a las estaciones de metro de Maia a la última de una vivienda unifamiliar en Porto.

Por último hemos protagonizado un interesante episodio de arquitectura ibérica; que es algo que tal vez nosotros percibimos menos porque estamos dentro pero que desde fuera identifican con claridad; y que aquí se ha materializado por el trabajo conjunto de profesores y alumnos de tres de las más importantes escuelas de arquitectura ibéricas: la de Barcelona, la de Navarra y la de Oporto.”

Numa substantiva intervenção, o Vice-Presidente da Câmara Municipal da Maia, Eng.º António Silva Tiago, consubstanciou no texto que abaixo se transcreve, parte importante da essência do programa que motivou o Campus e principalmente a homenagem ao homem e à sua obra.

“A cidade é um projeto em construção permanente
Haveria porventura, melhor forma de lembrar e homenagear um homem que passou a vida a pensar e a construir cidade, do que realizar o evento que hoje aqui damos por encerrado?

E haveria melhor local para esta nossa partilha final, do que este espaço onde vislumbramos as marcas do pensamento e do trabalho do meu querido amigo e saudoso Arquiteto João Álvaro Rocha?

Evocar o Homem, o Marido e Pai, o Professor e o Arquiteto, é uma missão que os nossos olhos se encarregam de facilitar, diante a presença da Excelentíssima Sr.ª Arq.ª Maria da Conceição Melo, sua viúva, bem como da Joana e do João, seus filhos, a quem saúdo com um fraterno abraço de amizade.

Uma evocação patente nas formas e na harmonia que concebeu e viu concretizada, na requalificação deste belíssimo lugar, pleno de equilíbrios remodelados pelas suas talentosas mãos.

Caríssimos amigos, permitam-me que vos trate deste modo mais afável!
O fazer da cidade é sempre um projeto inacabado.
Construir a cidade assume permanentemente uma dimensão concreta, expressa na sua materialidade e amplitude física.
Mas o fazer da cidade, é muito mais do que apenas isso.
O fazer da cidade, é na dimensão das essências ontológicas, uma Arquitetura de pensamento que começa pela construção mental, na antevisão do edificado, dos lugares e da urbe, como espaço de felicidade e realização humana e social.

É deitando mão á massa dessa essência, uma massa igualmente cinzenta, mas intangível, que se sonha, idealiza, projeta e constrói a cidade.

Pensar a cidade, de modo livre, plural e democrático, ajuda a prevenir o erro e ajuda a afastar o equívoco, lançando os pilares programáticos fundamentais para as respostas que o planeamento ordenado do território hoje reclama da Arquitetura:
· O que fazer?
· Como fazer?
· Quando fazer?
· Porquê e para quê fazer?
· Com que meios e com que sustentabilidade se deve fazer?
· E quais as soluções técnicas e artísticas possíveis para fazer?

Estas são as perguntas com as quais se defrontam invariavelmente os arquitetos, colocadas diante si, como a matéria-prima com a qual se constrói na sua mente, ou se preferirem no seu espírito, toda a obra que no futuro, pode tornar-se um objeto concreto e construído.”

É com expetativa que aguardamos a publicação das conclusões deste Campus. Um evento que inaugura por certo, uma nova fase na forma de pensar e fazer a cidade, na Maia.

Victor Dias

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