Liberdade, Liberdade!.. porque te querem aprisionar?

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É com preocupação que vejo a Liberdade a esvair-se por entre os medos e pânicos que vão tomando conta das sociedades democráticas.
Olhando para a velha Europa, percebe-se facilmente que há assim como uma espécie de estado de sítio que, devagarinho, se vai instalando em sociedades que sempre primaram pela Liberdade de expressão e de afirmação da cidadania.

 
A França, Pátria da “Liberté, égalité et fraternité” é hoje uma sociedade securitária, amordaçada pela permanente eminência de um ataque terrorista, que pode eclodir em qualquer lugar e a qualquer momento.
Do mesmo mal, vai padecendo a Grã-Bretanha, a Espanha, a Holanda e em geral todo o continente, que parece ter deixado de poder dormir descansado.
O terror, como nos têm narrado as notícias, não é malfeitoria exclusiva do fanatismo religioso, pois também a extrema-direita e neonazi tem feito das suas, cometendo crimes hediondos de uma violência chocante.

 
Ainda há dias, fomos surpreendidos com o assassinato a sangue frio de Jo Cox, deputada do Parlamento britânico baleada em West Yorkshire, a quem um criminoso idiota e desequilibrado roubou a vida, apenas porque defendia um projeto político diferente do dele e da sua trupe de extremistas radicais neonazis.
Enquanto cidadão que ama a Liberdade e defende a Democracia, curvo-me com profundo respeito diante a memória de uma mulher que aos 41 anos de vida, no auge da sua força criadora e cívica, se tornou neste tempo, uma Mártir da Liberdade.

 
Paulatinamente, os cidadãos de bem, que amam a Liberdade e a Paz, e que não desejavam viver em estados securitários, rendem-se à força das circunstâncias políticas e geoestratégicas, fazendo cedências que contrariam os seus ideais de Liberdade, Democracia, claudicando também nos direitos e garantias de cidadania, próprios de sociedades civilizadas e desenvolvidas.
Diante este recuo da cidadania, tolhida pelo medo, os populismos demagógicos aproveitam-se dessa insegurança, cavalgando montados num discurso de intolerância radical e de uma aviltante ideologia xenófoba.

 
Do outro lado do Atlântico, Trump puxa pelos sentimentos primários dos norte-americanos, fazendo da campanha que o vai lançar como cabeça republicana na corrida à Casa Branca, um constante “reality show”, cuja amplificação mediática é diretamente proporcional aos “sound bits”, às asneiras, às provocações e aos ataques que vai fazendo à moral, à ética e aos princípios estruturantes de qualquer sociedade livre e democrática.

 
Pena é que na Europa, os egoísmos nacionalistas, e a falta de visão de muitos dos nossos atuais líderes políticos, as elites de que nos falava o Presidente Feliz, se revelem cada vez mais incompetentes para apresentar outras saídas políticas que devolvam ao povo europeu, a confiança na União e a esperança no futuro melhor.

 
Enquanto democrata, não me atrapalha o facto dos britânicos serem chamados a escolher se querem ou não ficar na Casa Comum Europeia, porque isso é a Democracia a funcionar.

 
Mas já me preocupa que os líderes britânicos não estejam a ser suficientemente sensatos, e tenham puxado por sentimentos e estados de alma que não ajudam a esclarecer o eleitorado. Com essa estratégia política, o debate foi deslocado do território da razão e da análise objetiva dos pros e dos contra, para o território da emoção, convocando sentimentos nem sempre muito bonitos.

 
O resultado pode ser o destapar da caixa de pandora, cujas consequências, ninguém no seu perfeito juízo se arrisca a prever.
Cá estaremos para o prognóstico no dia de S. João…

Victor Dias

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