A missão quase impossível de António Guterres

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António Guterres

Como qualquer cidadão português que se orgulha da sua pertença cultural, fiquei sensibilizado pela eleição do nosso compatriota António Guterres para o alto cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas.

Creio que dado o seu perfil pessoal e a sua já vasta experiência política, Guterres é verdadeiramente o homem certo, no lugar certo, na hora certa.

Vai entrar em funções executivas no próximo dia 1 de Janeiro de 2017, embora esteja já a trabalhar a todo o vapor, procurando os caminhos da Paz, onde só há guerra, sofrimento, destruição e desumanidade.

À sua espera, António Guterres tem um Mundo perigoso, muito perigoso mesmo. Em Washington vai ter de lidar com uma dança de cadeiras que por certo não estava nada à espera. O seu interlocutor norte-americano vai juntar-se ao clube a que já pertence o seu homónimo russo, facto que vem adensar as dificuldades de gestão de conflitos, a nível geoestratégico mundial.

Trump e Putin

Trump e Putin, embora estejam em geografias políticas e sociológicas diferentes, têm muito em comum, e essa farinha que se tira do mesmo saco, não permite trabalhar em cima da diversidade, por forma a potenciar o que de melhor se pode encontrar de um e de outro lado, puxando pelas melhores qualidades de cada líder.

Putin é claramente um expansionista que se comporta como uma força oportunista, quer dizer, sempre que percebe que a capacidade de lhe resistir está enfraquecida e a reação a uma eventual investida, ou é nula, ou facilmente pode ser esmagada, aproveita, investe, ataca e ocupa. Não foi o que aconteceu na Crimeia?

Por seu lado, Trump, tem uma visão sobre a presença americana no panorama mundial, muito mercadológica. E mais do que jogar o prestígio de uma nação que se afirmou como a maior Democracia do Planeta, olha para a presença dos EUA com a folha de Excel na frente, sempre com os olhos postos na coluna do saldo.

China

Enquanto esses dois protagonistas jogam no tabuleiro geoestratégico, a China joga no expansionismo económico e na aplicação do seu “terá” superavit financeiro, comprando a torto e a direito, tudo o que há para comprar em todo o lado. Ele é bancos, seguradoras, energéticas, frotas pesqueiras, enfim, tudo o que dá dinheiro e é estratégico para as economias que vai dominando desse modo.
E se tudo isto é um problema muito sério para Guterres, o médio oriente é uma terrível dor de cabeça, onde há uma panela de pressão prestes a estourar e contaminar tudo à sua volta.

Síria

Mas a emergência que tem agora, com a qual vai arrostar e trabalhar nos complexos canais diplomáticos, onde a lógica assenta na “real politique” é a dura realidade da Síria, onde a Humanidade colapsou definitivamente nos seus valores mais sagrados.

Ele próprio já o disse, que a Síria é a sua prioridade principal, consciente que a cada minuto, a Humanidade se afunda e perde o sentido de tudo, quando se revela absolutamente incapaz de por termo a uma guerra dilaceradora.
Desejo a António Guterres as maiores felicidades e sucessos no desempenho da sua missão, considerando que isso representará, de certo modo, a redenção da Humanidade.

Victor Dias