É na mente, estúpido, é na mente

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Os gregos não tiveram os deuses que mereciam. Isto é, os homens eram melhores que os deuses que tinham criado. Enlouqueciam-nos se os queriam perder. Esta afirmação significa que é na mente (dos que a têm) que ocorrem os grandes problemas da humanidade, por isso, podemos dizer: É na mente, estúpido, é na mente.

Só para referir alguns exemplos. Mussolini ao declarar guerra ao Corno de África, perguntava aos italianos se queriam pão ou guerra. A resposta foi: as hostilidades bélicas. Fazem-se as mentes e as consequências vêm depois.

O mesmo fenómeno acontece em todas as ditaduras. Preparam-se as mentes para a guerra. Em parte, é a aplicação da doutrina romana: “si vis pacem, para bellum” (Se queres a paz, prepara a guerra).

O que hoje se passa como o aborto, os casamentos de homossexuais, a corrupção mais desenfreada, o empobrecimento nacional, tudo tem origem na mente humana. Toda a ideia, diz a psicologia, tende a transformar-se em acto. É o percurso natural. Se o verbo que mais se conjuga hoje é ‘roubar’, isso deve–se à acção sobre a mente. O aborto ou matança de inocentes deve-se à inculcação destas doutrinas na sociedade

Se hoje o que está a dar são os casamentos de homossexuais, é a mente, estúpido, é a mente, a gerar tais conceitos (como longe vão os tempos em que a mente mandava apedrejar os que praticavam certos actos).

As gerações políticas ainda hoje sofrem a intoxicação mental de um certo 25 de Abril. Se te inocularam na mente que tens de ser político famoso, ministro, inculcaram-te também os sãos princípios, não é verdade? Espero que os tenhas respeitado sempre e continues a fazê-lo. Estamos a dizer bem, não é verdade?

Plurais e com alguma semelhança são acções bem recentes no nosso meio. Assaltos premeditados e calculados a instituições cujo pecado era funcionar bem. Foi a mente, estúpido, foi a mente sedenta de protagonismo. Por isso, merece profunda reflexão o que diz o preâmbulo do acto constitutivo da UNESCO, em 25 de Novembro de 1945. “As guerras nascem no espírito dos homens. É no espírito dos homens que devem ser construídas as defesas da paz”.

Mas para que isso seja possível, os Estados signatários devem assegurar a todos o pleno e igual acesso à educação, a livre prossecução da verdade objectiva e a permuta livre dos conhecimentos e das ideias.

Será, pois, pela ciência, pela educação, pela cultura e colaboração entre as nações que se construirá a justiça, a lei universal e o respeito pelos direitos do Homem. Grosso modo, estes são os objectivos fundamentais da UNESCO.

Por isso, a educação, o combate ao analfabetismo, a promoção da inovação, a cidade educativa e a liberdade são os pilares essenciais dos tempos modernos.

Não tenhamos dúvida que é na mente, estúpido, é na mente que se deve agir para criar um mundo melhor.

Raul da Cunha e Silva