Negligência dos Bispos

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Papa Francisco
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1-“Como uma mãe amorosa, a Igreja ama todos os seus filhos, mas cuida e protege com particular afeto os mais pequenos e indefesos: trata-se de uma tarefa que o próprio Cristo confia a toda a comunidade cristã no seu conjunto.”- é assim que começa a Carta Apostólica do Papa Francisco de 4 de junho passado. Esta carta é chamada de “motu próprio”, ou seja da inteira responsabilidade de Francisco e que achou ter toda a pertinência publicar, sem ouvir mais ninguém. O bispo de Roma como gosta que lhe chamem, habituou-nos a atitudes que longe de serem populares são objetivamente autocrítica da Igreja e correção fraterna, tendo em consideração o que se vai fazendo, principalmente à “proteção das crianças e dos adultos vulneráveis”. Para além da denúncia, que nem todos gostam, das “economias que matam”, querendo referir-se nomeadamente à neoliberal. O Papa quer colocar em ordem a Igreja, de tal forma que se torne uma Igreja dos pobres, com eles. Que proceda como os pobres, sem “poderes”, mas com a misericórdia e o amor do Senhor.

2.- Referindo que o “dever de proteção e do cuidado compete a toda a Igreja” – das crianças e dos adultos vulneráveis -, e que por tal são referidos os seus Pastores, das Igrejas Particulares – por Igreja Particular, entenda-se a Igreja Diocesana -, como denunciadores proféticos das práticas incorretas. Ora se são os construtores da Justiça e da Paz, não podem ser eles próprios aqueles que prevaricam. Os bispos das Dioceses a quem compete defenderem as “crianças e os adultos vulneráveis”, os “mais débeis”, poderão ser removidos do ofício eclesiástico se assim não procederem, ou mesmo sejam eles os fautores daquilo que designa como “causas graves”. Com esta carta apostólica o papa considera como causa grave a “negligencia dos Bispos no exercício do seu ofício”, e no concreto os “abusos sexuais”.

3.- Considera, no articulado, que a “remoção do ofício” é realizada, “se tiver, por negligência, agido ou omitido atos” que causem danos, que podem ser físicos, morais, espirituais ou patrimoniais, mesmo não existindo culpa grave moral da sua parte. São dadas aos bispos todas as possibilidades de defesa, como aos superiores das ordens religiosas, e para a sua remoção a decisão final é do Papa. Pretende com esta decisão o Papa Francisco não culpabilizar, mas atender a que a Igreja não pode ter ao seu serviço bispos negligentes. Eles não deixam de ser filhos de Deus, mas terão de responder pelas suas negligências.

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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