O dia seguinte

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Hoje estou com alguma dificuldade de exprimir o que sinto após a minha tomada de posse para a Assembleia de Freguesia de Sobradelo da Goma, e ter assistido à tomada de posse da Assembleia de Freguesia de Curral de Moinas.

Apesar das cerimónias terem sido diferentes, uma um pouco mais pomposa e outra bastante mais simples, em ambas senti a mesma coisa, ou seja, pareceu-me ter havido algum incomodo em estarem presentes e terem de tomar posse a minoria dos elementos de outra lista.

Que diabo vivemos ou não em democracia?

Apesar das armas de combate terem sido muito diferentes e as equipas ganhadoras não terem tido nenhuma dificuldade em ganhar.

Que diabo meus amigos, vocês ganharam, acho que pelo simples facto de haver mais do que uma lista há muito mais adrenalina na vitória do que se fossem sozinhos a concorrer?

Será que mesmo assim preferiam não ter tido nenhuma oposição? Acham por acaso que o sabor da vitória era o mesmo se tivessem concorrido sozinhos?

Eu sei que a coisa é quase uma monarquia, ou seja, vão-se sucedendo uns atrás dos outros, e vão-se deixando estar no poder até os mandarem embora.

Mas meus amigos, não desesperem até porque a maioria de vós ainda vai sair com uma reformazita, que sempre dará para pagar uns cafezitos aos amigos que votaram em vós. Pois não quero crer que só pagais os cafés antes do período eleitoral.

Penso que para não haver este tipo de incómodo por mim sentido, este serviço havia de ser um serviço cívico. O partidarismo estraga muito a vontade de fazer mais e melhor.

Para quê haver partidos? Não somos todos filhos da mesma Terra?

E mesmo aqueles que como eu somos Independentes somos vistos de lado, só por termos tido a coragem de encabeçar uma lista concorrente.

Começo a achar que a minha visita tão querida e bem vinda em certos locais agora vai começar a ser incómoda.

Mas eu continuo a ser a mesma pessoa. Talvez um pouco mais gorda e mais velha, mas continuo a reivindicar as mesmas coisas a procurar lutar pelos mesmos ideais. Só com a diferença que se calhar agora estou no lugar onde a minha voz vai ser mais ouvida e embora não tenha peso nenhum, pois a equipa da casa dá uma goleada pelo menos o meu voto, a minha moção, a minha palavra, vai ficar em acta. E meus amigos aquela casa é minha, é nossa, é de todos nós.

A cadeira em que vos sentais também é minha, também é nossa, também é de todos.

Será assim tão difícil perceber que este planeta onde vivemos pertence a todos?

Uns tem um canhão maior do que outros, é certo, mas aí já são outros problemas que às vezes também não são muito fáceis de entender. No entanto também vos digo, quando esta vida acabar para todos nós, independentemente de termos muito ou pouco só levamos aquilo que os outros nos quiserem pôr. E já vi um ricaço levar para o outro mundo um fatito emprestado. (emprestado é como quem diz, pois até hoje, que eu saiba, ainda não o devolveu).

Ninguém vai levar a cadeira onde se sentou 20, 30, 40 ou mais anos…

E mesmo nesta vida já vi como dizia um amigo meu “muita gente dar bifes aos cães e depois ter de comer os cães”.

E, estou quase como uma idosa de uma determinada freguesia em que os candidatos empatarem e a quem o jornalista perguntou o que pensava dessa luta, ela ter respondido muito sabiamente: “olhe, sabe… uns comem outros querem comer”. Isto é apenas o retrato do que as pessoas pensam dos políticos.

Digam lá se não era muito mais saudável para todos, isto ser prestado como um serviço cívico e se fosse preciso seria contratado um gestor para gerir a parte administrativa.

Pois, também me custa um pouco entender como é que um tesoureiro de uma Junta,  pode ser ao mesmo tempo o que faz as obras da Freguesia.

Bem, pensando bem… se calhar não dá tanto trabalho, assim como a verba entra para a obra em causa também sai sem grande dificuldade nem burocracias.

Assim vivemos e assim iremos ver neste país à beira-mar plantado.

(Este texto não tem nada a ver com a realidade é apenas ficção, até os nomes são fictícios)

Isabel Quelhas