Onda preventiva

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Incêndio florestal

1.- Todos sabem, os técnicos muito mais, que a prevenção é um dos princípios do desenvolvimento, assim como o da precaução. Não é necessário termos fogos ou incêndios para nos apercebermos da prevenção, como única arma para os desarmar. A prevenção faz-se contudo aos níveis económicos, ambientais, sociais e culturais, nada mais, nada menos. Também sabemos que as medidas preventivas custam muito menos que as curativas. Quando aplicámos a teoria do “Risco”, sabemos bem em que medida é que este pode superar as adversidades. Mas isso aplica-se a tudo na vida, calcular o risco e em que medida ele deve ser verificado ou não, advém não só da técnica, mas da participação das populações. É estupidificante andarmos a criticar negativamente isto e aquilo, quando não verificamos a trave que está nos nossos olhos. Dar “palpites” nos incêndios e, por exemplo, a nível local viver com telhas de amianto, nas casas e escolas da nossa terra, é desonestidade ética. Agir é sempre local, para refletirmos global, nunca o contrário. Os sabichões da nossa terra são pobres tacanhos, sem qualquer representatividade, exceto aquela que “os poderes” conferiram.

2.- Se a prevenção, também dos incêndios, se desenvolve a vários níveis, mais uma vez o pilar cultural é o axioma da substantividade preventiva. Olhe-se para aqueles que incendeiam as matas e os pinhais, as nossas florestas e casas, que, sem dúvida, queremos ver presos e pagantes dos atos criminosos que fizeram. Eles são mulheres e homens, seres humanos, a quem se negou alguma coisa, a quem se negou a cultura dum país, de um povo e duma nação. Se se verificasse a arquitetura destas pessoas, teríamos a certeza de uma falta de cultura, duma falta de vida em sociedade, de uma falta de clareza sobre os ambientes exógenos e endógenos e duma economia débil, que os prostraram nas veredas do inconcebível. Não estou a falar no abstrato, mas no concreto; a prevenção verifica a sua aplicação, se for aplicada culturalmente.

3.- Como a precaução, se não sabemos se é, ou não é, não é! Se não sabemos se irão existir incêndios ou não, então existem. Logo a prevenção necessária. Um povo culto não incendeia, por que na sua génese está o bem de todas as pessoas. Quantos “incêndios” existem por aí, que não vemos sequer, nem sentimos? A prevenção se não for aplicável com sustentabilidade, em nada resulta, por que falta a essência, essa estará na “onda” que formos letrados em executar, não olvidando nenhum dos passos. Ela é de índole económica, social, ambiental e cultural, volto a sublinhar, e se assim não for, voltaremos ano após ano, a referir “incêndios” e a consequente solidariedade, que nisso somos pródigos. Não é que a solidariedade não deva existir, mas talvez fosse melhor aplicá-la na prevenção.

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental