Opinião Alvarinho Sampaio: Bombas de fragmentação

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«O meu primeiro pensamento vai para as numerosas vítimas que sofreram graves danos físicos e morais (…) por causa destes engenhos» – assim se expressou, o Papa Bento XVI, quando falava aos peregrinos na sua residência de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma.
O Sumo Pontífice, segundo a agência France Press, mostrou-se vivamente satisfeito pela entrada em vigor da Convenção Internacional que proíbe a produção e uso de bombas de fragmentação.

O texto da Convenção, que entrou em vigor no passado dia 1 de Agosto, foi assinado em Oslo, na Noruega, por mais de cem países, proíbe a produção, o uso, o armazenamento e transporte de bombas de fragmentação.
Lamentavelmente, países como os Estados Unidos da América, a Rússia, a China, a Índia e o Brasil – todos eles fabricantes de armamento – mantiveram-se afastados das negociações que decorreram durante muitos meses e foram concluídas no passado mês de Maio.

Refira-se ainda que, de acordo com algumas agências noticiosas, alguns países não aderiram ao tratado internacional que proíbe a fabricação, o comércio e o uso de «bombas cluster», chamada de bomba de desfragmentação ou bomba de cacho, artefacto que se fragmenta, ao explodir, em inúmeras munições, porque os interesses financeiros sobrepuseram-se aos direitos e à dignidade humana.
Questionados sobre a decisão da não comparência nas conversações e sobre a não assinatura do Tratado, alguns responsáveis alegaram que «ainda não há uma posição tomada sobre a questão e que alguns países que ainda não assinaram o Acordo poderão, no futuro, aderir ao tratado». Mas, entretanto, alguns países que não assinaram o Tratado, também discordam com «a excepção, aberta no documento, para a produção e a comercialização das bombas de fragmentação produzidas por França, Reino Unido e Alemanha, que apresentam um mecanismo que impede a explosão retardada dos fragmentos».

Penso tratar-se de uma «discriminação» que merece uma intervenção rápida, no âmbito das Nações Unidas, para que seja discutido este tema de tão grande importância e que, não será demais referir, que as bombas de desfragmentação já mataram ou feriram mais de cem mil pessoas nas últimas décadas e, segundo um relatório da ONG (Organização Não Governamental), 98% eram civis e mais de 25% eram crianças.
Todavia, na minha opinião, não se afigura viável que os países fabricantes de armas se passem de repente, para o lado daqueles que são «amantes da paz». O factor do negócio, que é a guerra, e os ganhos milionários dos fabricantes e dos traficantes de armas, tornam cada vez mais difícil e distante o sonho de um mundo onde se possa viver em paz e amor!…
Mas, apesar de tudo, tenhamos fé e esperança de que as forças que lutam pela dignidade humana continuem a pressionar todos os «senhores da guerra» para que cessem a produção e distribuição dessa terrível arma de estilhaços que tem ceifado a vida a milhares de inocentes.

Também não podemos deixar de pensar que, se as forças do bem deixarem de agir, assistiremos à repetição de guerras que poderão obrigar os países beligerantes a fazer explodir a primeira bomba atómica do Século XXI.
E, pela voz do Papa Bento XVI, continuemos a apelar a todos os países para aderirem à Convenção e contribuírem «para a defesa da dignidade e da vida humana» e para o «estabelecimento de uma ordem internacional pacífica»!!