Opinião Alvarinho Sampaio: Gastar e… esbanjar

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“Que raio de palavras são estas para titular um artigo?” perguntarão os leitores desta publicação que semanalmente aparece nos quiosques maiatos para adubar um pouco a cultura e a mentalidade da gente desta nossa e muito querida Maia.
Mas… eu explico: aspar significa maltratar, eliminar…; esbanjar não é mais do que gastar perdulariamente, consumir à toa, arruinar…

Ora, se analisarmos superficialmente a palavra «aspar» chegaremos rapidamente à conclusão de que a maioria do povo que pretende viver em democracia, está a ser maltratada por uma minoria que se arvora em democrata mas não passa daquilo a que se pode chamar de aristocrata que vive fidalgamente à sombra do erário público e das «leis» que a «protege» e a «autoriza» a eliminar os protestos da tal maioria passiva ou, porque não dizê-lo, daquela maioria que prefere «deixar andar» e deixar que os valores morais, a segurança, o seu bem-estar sejam derrubados!…

Já o «esbanjar» pode ser visto a olho-nu através das mais variadas formas de esbanjamento perdulário que há-de conduzir, com certeza, ao descalabro deste maravilhoso país à beira-mar plantado e do seu povo que vive para o futebol e se agarra com a sua fé desmedida aos santinhos mas que nada faz para que a sua fé assente na fidelidade e na esperança de alcançar um futuro risonho – um futuro que começa a ficar comprometido e hipotecado!…
Era assim no passado, é assim no presente e será assim no futuro se não houver uma mão forte – uma por cada distrito não seria muito – que ponha cobro às perdas de estímulo e às injustiças sociais a que se vem assistindo e que vão sendo praticadas à sombra da tal «democracia» e da apregoada «liberdade» – a verdadeira liberdade que o povo, para além de não a ter alcançado, também ainda não a entendeu ou não a quer entender!

Mas… os «democratas» – os defensores da tal «democracia» que só serve a alguns – continuam a impingir ao povo, que é passivo e não reage às provocações, que tudo está bem e que as estatísticas não mentem!… Porém, o povo, especialmente aquele povo que, depois de uma vida dedicada ao trabalho e ao desenvolvimento do país, se vê, agora, na decrepitude da vida, em palpos de aranha para poder sobreviver ao abandono e às miseráveis reformas a que está sujeito.
Porque o povo é passivo também é quase obrigado a descurar que «a família é sagrada» e, se em tempos passados a família estava acima de tudo, hoje esse conceito deixou de existir no pensamento do povo passivo – a tal maioria de trochas que tem de fazer sacrifícios para pagar os impostos que irão ser «administrados» para que a tal minoria viva faustosamente à sombra de chorudas pensões, alcançadas com meia dúzia de anos de «palradices», e de vencimentos milionários.

Está prestes a completar um ano após as últimas eleições legislativas. Um ano em que as ruas, parques e jardins de todo o Portugal se transformaram, uma vez mais, em palanques onde os falsos «pagadores de promessas», ufanos da sua filosofia socrática, não pararam de palrar para impingir ao povo mais um rol de promessas que jamais serão cumpridas. Mas o povo, possuidor de fraca memória ou de memória curta, continuou a ouvir e a acreditar nas gralhadas desses passarões que irão continuar a esbanjar e a servir-se do erário público para satisfazer o seu ego.

Se assim não fosse, e a imoralidade fosse banida, teríamos possibilidade de aumentar as reformas daqueles que recebem num mês aquilo que muitos milhares de «democratas» recebem num dia; teríamos hospitais em condições para atender a população pobre; teríamos escolas onde fosse ministrado um ensino de qualidade; teríamos estradas secundárias onde se pudesse conduzir em segurança e sem grandes gastos de material; teríamos segurança pública que pudesse oferecer ao povo a qualidade de vida que deseja e merece; teríamos o povo a viver como se vive no primeiro mundo e deixaríamos de ter as vias de comunicação a serem cognominadas por maternidades!…

Nós pagamos impostos – como todo o mundo paga –, e o que temos em retorno? Orgias de gente que não respeita a moralidade nem o dinheiro público que lhe é confiado; gente que não tem vergonha na cara para encobrir; gente que é ilibada de culpas e que até ameaça quem os denuncia; gente que faz mexer cordelinhos para que os denunciadores sejam despedidos e atirados para o desemprego; gente que consegue «defender-se», com inexplicáveis subterfúgios, das imoralidades que praticam.
Mas… até quando vai isto acontecer? Até à hora que o povo reaja e retire do poder aqueles que não deviam estar a representar o povo!
Basta!… Basta de tantas injustiças e de propagandear tantas mentiras!

Alvarinho Sampaio