Opinião Alvarinho Sampaio: O mês de Agosto e as Mulheres

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Terminou Agosto, o mês das férias e aquele que, diz-nos a história, também está relacionado com as Mulheres que dedicaram todo o seu amor, a sua bondade, a submissão e a coragem, ao bem comum.

No passado as mulheres estavam exclusivamente ligadas às lides domésticas e aos trabalhos do campo. Porém, a partir do XX, passaram a desempenhar, a par dos homens, os mais diversos cargos. As mulheres em Portugal, para além de ocuparem cargos nas empresas privadas, também exercem cargos políticos nos vários ministérios de Administração Pública.
Na passagem de mais um aniversário da Batalha de Aljubarrota, também não será demais recordar e falar de uma grande portuguesa – Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota – que se revelou como uma mulher destemida e valente. Ainda jovem ficou órfã mas o facto não a teria afligido muito. Vendeu os poucos haveres que possuía e resolveu levar uma vida errante, negociando de feira em feira mas acabou, entre uma lendária vida pouco virtuosa e confusa, por se fixar em Aljubarrota, onde teria casado com um abastado lavrador, tornando-se dona de uma padaria.

Brites encontrava-se na vila de Aljubarrota quando se deu a batalha entre portugueses e castelhanos. Derrotados os castelhanos, sete deles fugiram do campo da batalha para se albergarem nas redondezas e encontraram abrigo na casa da Brites, que estava vazia porque a padeira teria saído para ajudar nas escaramuças que ocorriam. Quando Brites voltou, e encontrando a porta fechada, logo desconfiou da presença de inimigos. Entrou alvoroçada à procura dos castelhanos e, tendo-os encontrado escondidos dentro do forno, intimou-os a sair e a renderem-se. Como eles não saíam bateu-lhes com a sua pá e matou-os. Diz-se também que, depois do sucedido, Brites reuniu um grupo de mulheres corajosas e constitui uma espécie de milícia que perseguia os inimigos.
A memória destes feitos torna-se um símbolo da independência de Portugal e a pá, religiosamente guardada por muitos séculos, é ainda hoje o estandarte de Aljubarrota que orgulhosamente desfila no dia da procissão que se realiza a 14 de Agosto.

Também durante o mês de Agosto são recordadas e homenageadas outras mulheres – as Virgens. Aquelas que ligaram o seu nome à igreja de Cristo. Assim, no mês de Agosto são veneradas, entre outras, a Senhora da Boa Morte, Senhora da Graça, Senhora do Livramento, Senhora das Neves, Senhora da Ajuda, Senhora das Dores, Senhora da Assunção…, que se comemora no dia 15 de Agosto e o qual Portugal respeita e conserva como feriado nacional.

O actual Papa Bento XVI, refere-se a esta solenidade como sendo «…a festa maior, aquela que envolve o mistério da Assunção de Nossa Senhora. Assim como Cristo ressuscitou dos mortos com o seu corpo glorioso e subiu ao Céu, também a Virgem Maria, a Ele plenamente associada, foi elevada à glória celeste». Também nisto a Mãe seguiu mais de perto o seu Filho e, ao lado de Jesus, que é a «primícia» dos ressuscitados, Nossa Senhora mostra-se como «primícia e imagem da Igreja», sinal de esperança para todos os cristãos na peregrinação terrena e, apesar de nos tempos modernos o materialismo estar em crescente desafio à espiritualidade do homem, a festa da Assunção, ainda constitui, para todos os crentes, uma ocasião útil para meditar acerca do verdadeiro sentido da vida terrena e espiritual.

Para a Igreja de Cristo, o Céu é a habitação definitiva e, dali, Maria encoraja os crentes, com o seu exemplo, a aceitar a vontade de Deus e a não se deixarem seduzir pelos apelos enganadores e a não ceder às tentações do egoísmo e do mal, que apagam no coração dos homens o amor e a alegria de viver.
«Oxalá ela ajude os crentes a abrirem-se à presença e à acção do Espírito Santo, capaz de transformar os corações e ilumine as mentes acerca do destino que nos espera, da dignidade de cada pessoa e da nobreza do corpo humano» – concluiu Sua Santidade o Papa.

Assim, e porque a História da Mulher tem muito a ver com o mês de Agosto, não podemos deixar de dizer que o mês das férias e do Verão é o mês da Mulher!