Opinião Alvarinho Sampaio: Por onde anda a Crise?

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Porque vivemos tempos sinistros
Este artigo dedico-o aos Ministros
E ergo até eles, humildemente,
Em toada uníssona e plangente,
Para que acabem com o deslize
E nos tirem depressa desta crise!

É a crise. É a crise!… Esta é a «palavra de ordem» para justificar, junto dos contribuintes, o aumento de impostos, a imposição de portagens e quejandos com que o Governo continua a massacrar os portugueses utilizando a «lei do menor esforço» e a maneira mais fácil para debelar a famigerada crise que se deve, como é conhecimento da gente anónima – aquela que sente a verdadeira crise -, ao esbanjamento desenfreado que tem sido o apanágio do Governo nestes últimos anos.
A crise só se faz sentir nos menos favorecidos; naqueles que não têm possibilidades ou estão irremediavelmente impossibilitados de poder «sarar as feridas» provocadas pelas balelas e mentiras que vão encobrindo «o vale de lágrimas» a que Portugal chegou.

Porém, a crise não se faz sentir entre os privilegiados deste maravilhoso país, à beira-mar plantado e onde existem alarmantes diferenças sociais; onde alguns ganham num dia aquilo que muitos não ganham num ano; onde a compra de automóveis de luxo estão «na moda» – seguindo o exemplo dado governo; onde as pensões acumuladas, de alguns, atingem valores astronómicos e que põem em causa o futuro da Segurança Social; onde as pensões auferidas por muitos milhares de idosos mal chega para os medicamentos que os vão mantendo de pé nos dias de vida que lhes resta; onde, enfim, milhares de portugueses estão a viver no limiar da pobreza e à sombra da caridade de alguns – daqueles que fazem da filantropia o seu passatempo.

Ao longo destes últimos anos têm aparecido aqueles que defendem, hipocritamente, os percursos e as «soluções» políticas que conduziram o nosso querido Portugal para os caminhos errados, tanto sob o ponto de vista conceptual, como de execução. Porém, tal hipocrisia tem sido repudiada pelo povo. Por aquele povo que já está cansado de ouvir tantas mentiras e de assistir à divulgação de tantas asneiras praticadas por aqueles que continuam, descaradamente, a fazer «promessas absurdas» em nome da democracia. Da democracia do «coça para dentro», do «facilitismo» e do «deixa andar»!

Há dias, uma das publicações semanais – utilizando como fontes o Instituto Nacional de Estatística, o Instituto de Gestão Financeira, a Segurança Social, a DECO, o Banco de Portugal e Instituições Universitárias – apresentava este desgraçado «Retrato genérico da Família, em Portugal» que:
– tem, em média, 800 Euros no Banco;
– confia na pensão do Estado;
– os mais velhos, em média apenas conseguiram 3.000 Euros de poupança;
– não tem acções, títulos ou investimentos;
– a casa vale 110.000 Euros;
– mas, da casa, ainda estão por pagar 95.000 Euros ao Banco
– tem dificuldade em limpar 2.000 Euros do cartão de crédito;
– sessenta e seis por cento não consegue poupar para a reforma;
– a dívida média de cada Família, é de 40.665 Euros;
– cinquenta e sete por cento das Famílias, nada consegue poupar;
– trinta e seis por cento dos Portugueses, estão na idade da reforma;
– onze por cento dos Portugueses, em idade activa, estão desempregados;
– a dívida global das Famílias portuguesas é de quatrocentos mil milhões de Euros, igual ao Produto Interno Bruto da Noruega, que é o país mais rico do mundo;
– nas Famílias, trinta e um por cento dos filhos não acabam os Estudos obrigatórios;
– por exemplo, no distrito de Portalegre, o número de cardiologistas é zero, sendo quatrocentos e vinte e um em Lisboa;
– só duas, em cada dez pessoas, lêem jornais ou vêem um telejornal completo por dia;
– na sua maioria, as Famílias são compostas por um homem, uma mulher e só um filho;
– o rendimento disponível de cada Família, é o mais baixo da Europa;
– no supermercado e na mercearia, os Portugueses gastam mais do que os restantes Europeus;
– os custos de vida em Portugal, relativos às chamadas despesas comuns, são mais altos em comparação com a Espanha, bem como os combustíveis;
– vem-se reduzindo o volume de compra de livros, filmes e discos;
– reduziram-se as refeições fora de casa;
– ressente-se o Ensino privado;
– o ano de 2008 detém o recorde dos divórcios.

O único aspecto em que as Famílias progrediram, foi no aumento do número de clientes de TV-Cabo, dos Telemóveis e da Internet.
Assim, este «Retrato» desmente a «beleza» deste maravilhoso país à beira-mar plantado. Era bom que o Povo não tivesse memória curta e se lembrasse de que, apesar de tantas balelas e mentiras, ainda existem aqueles que não encobriram nem incentivaram as tais políticas e soluções que originaram este estado de coisas e que atiraram Portugal para o abismo em que se encontra!…