Opinião – António Fernando: Voto Passos Coelho

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Decidi que nas próximas eleições para líder do PSD, que ocorrerão hoje (26de Março), irei votar no Pedro Passos Coelho. Decidi faze-lo após ver, ouvir e ler  todos os debates televisivos, todas as entrevistas, todos os artigos e consultar os sites de candidatura de todos os candidatos.

Foi meu propósito não manifestar no começo do processo eleitoral as minhas preferências, até porque não as tinha. Entendo que só vale a pena fazer eleições directas se não houver no processo electivo sindicatos de voto, ou balcanização de apoios. Sou da opinião de que todos aqueles que desempenham no partido cargos directivos em estruturas políticas de patamar concelhio e distrital se deviam inibir de exercer cargos de relevo nas estruturas de campanha dos candidatos a Presidente do PSD e deviam ser contidos nas manifestações de apoio aos candidatos.

Apesar de todos eles serem livres de votarem em quem quiserem o seu apoio explícito serve sempre para condicionar e desviar o juízo que cada militante deve fazer nestas eleições. Todos aqueles que têm capacidade eleitoral, no quase término deste processo eleitoral, já não vão só votar em função da valia de cada um dos candidatos, já vão votar condicionados também pela prole de apoiantes que cada um deles tem. Creio que se o objectivo das directas era não votar apenas o Presidente, mas levar a que os militantes  equacionassem nessa escolha também os seus apoiantes, deveríamos eleger em directas toda a Comissão Política Nacional e não apenas o seu Presidente.

Decidi votar no Pedro Passos Coelho porque pareceu-me o candidato mais preparado para liderar o partido e o país. Pareceu-me ser de todos aquele que melhor soube gerir situações de conflito, que melhor postura soube assumir em sede de debate, aquele que melhor conhece o país e o partido e aquele que apresenta soluções e ideias mais amadurecidas para um programa de Governo. O facto de ser recandidato à liderança foi uma vantagem que soube claramente capitalizar.

Inclusão

Quero porém referir que o partido deve sair deste processo eleitoral aproveitando a mais valia de cada um dos candidatos à presidência. Se Pedro Passos Coelho vencer, como espero, deve reiterar a liderança de Aguiar Branco no grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República e deve tê-lo em conta na formação de um futuro governo.

Apesar de entender que Aguiar Branco não representa a mudança geracional que acho que o partido precisa, especialmente após a liderança de Ferreira Leite, reconheço que foi um bom candidato e que este processo eleitoral lhe deu ‘endurance’ que por vezes lhe faltou no debate parlamentar.

Se Pedro Passos Coelho vencer não deve fazer a Paulo Rangel o mesmo que lhe fizeram a ele. Deve tratar de inclui-lo e deve dar-lhe campo de manobra política. Paulo Rangel tem obrigações para com os portugueses que deve cumprir no Parlamento Europeu sem que isso o transforme num exilado político de luxo. A Pedro Passos Coelho caberá a responsabilidade de não excluir e a Paulo Rangel a sensatez e humildade de se deixar incluir.

Depositei no Paulo Rangel grandes esperanças, mas rapidamente concluí que a sua precipitada candidatura fez com que fosse um candidato a quem a pressão quase sempre venceu. Tem um enorme potencial e deve saber aproveitar esse potencial ao serviço do partido e do país.

Atrevo-me a dizer que Paulo Rangel tem que saber gerir o seu tempo e se o souber fazer o seu tempo chegará. Fez-me lembrar um jogador de futebol que sem nunca ser titular de uma grande equipa entrou numa segunda parte, fez um bom jogo e marcou um golo decisivo para a sua equipa nas meias-finais da liga dos campeões. Assim sendo, achou que no jogo da final podia e devia ser titular e capitão de equipa. Até ao momento,  nesse jogo, Paulo Rangel, justificou a titularidade mas está longe de justificar a braçadeira de capitão. Creio que para Rangel ser capitão tem que jogar muitos mais jogos e jogar muito mais para a equipa e treinar com mais afinco.

Castanheira de Barros merece um cumprimento e os votos de muita saúde e sucessos. O seu lugar no PSD será aquele que tem e que faz muita falta, se mais não for para lembrar que a política também existe sem mediatismo.

Estou convicto que Pedro Passos Coelho será eleito Presidente do PSD. Será muito bom para o PSD mas será muito melhor para Portugal.