Opinião António Lopes: Chamar “Filho da p …” não consubstancia crime

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Muita tinta e muitas páginas de jornais, tempos de horário nobre nas Televisões, com dezenas de programas sobre a mesma temática, que parece não ter fim… já enoja.

Este País está perdido. Ou não será de doidos registar que um processo judicial tem já oito anos de vida, e gastou ao erário público, a fazer fé nas várias “bocas” nesse a propósito, mais de um milhão de euros.
É esse mesmo País que suspende o seu treinador da Selecção, que dizem é de todos nós… eu acrescento: quando lhes dá jeito!

Quem pode aceitar que a escolha dos melhores para representar Portugal nos primeiros quatro jogos de tentativa de sermos apurados para o Europeu de 2012, não é feita pelo seleccionador? Não queremos o melhor para o nosso País, para a nosa Selecção? Então deixem-se de tergiversações e vamos reger-nos por pragmatismo. Ou se corre com o seleccionador ou se renova a confiança que ele tem merecido.

Eu torço pelo Queirós. Já provou ser competente, e bom líder, o que não significa que seja capaz de levar a Selecção à final do Campeonato do Mundo. Afinal Itália e França, que são gigantes da bola, ainda fizeram pior figura que os lusos. Mas torcendo pelo actual seleccionador, tenho outra arma para a sua defesa.

Uma arma a dois tempos, ou seja, também eu, nas mesmas circunstâncias me “atiraria ao tecto” se algum sabicholas resolvesse acordar os meus jogadores, quase de madrugada, para uns testes ao Xi-xi que bem podiam ser feitos a outra hora, porque devia evitar-se o adulterar do planeamento que estava em prática, não contando obviamente com esta interrupção do sono.

Dai que desabafando tenha insultado (?) as senhoras mães deles.

Filho da p … não é crime, já que faz parte do nosso vocabulário, pelo menos do Norte. É frequente as mães chamaram aos próprios filhos “filhos da p …”, mesmo “filhos de sete p… e meia” e este procedimento não é auto-ofensa.

Aliás, lembro-me, na minha juventude, de ter ouvido falar da “performance” do conhecido causídico de Luanda, de seu nome Américo Boavida, que representava um jovem que insultou outro com essa frase. Era sua intenção provar que tinha havido insulto ao bom-nome e à reputação do seu constituinte.

Do outro lado estava um espertalhão (há-os em todas as épocas) que, com a mesma intenção que nós, tentava invocar o povo do Norte do País como tendo o direito de usar esta frase tão inofensiva.

Para ele, o facto de as mães se “auto-insultarem” retirava ao caso a carga negativa que o vestia.
Chamado a intervir, percebendo que o juiz tinha embarcado naquela argumentação, o Dr. Américo Boavida disse: “Meritíssimo, depois do que o filho da p… do meu caro colega disse, não tenho mais nada a acrescentar”.

E por aqui se arquivou o processo. Que se arquive o do Queirós, porque o êxito da Selecção também é um PIN (Projecto de Interesse Nacional), o que lhe confere direitos de excepção.

Jornalista