Opinião Cláudio Carvalho: As bofetadas dos paladinos do mercado livre

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São os mesmos de sempre. Depois da “avalanche” de 1929 e do “terramoto” dos subprimes de 2008, continuam a acreditar na “mão visível” que comanda as instituições económicas e financeiras de todo o mundo, descurando qualquer influência social nos processos económicos dizem automatizados mas que da crise só se levantam com a ajuda, pois claro, do Estado. Caímos, rebolamos, levantámo-nos e tornamos a cair. Levamos bofetadas sucessivas da tal “mão”, recuperamos e continuamos, masoquistamente, a levar dolorosas bofetadas, sem direito a insurgência. Do alto do cadeirão santificado, os sacristães economistas e economicistas, paladinos do mercado livre instalados à direita, defendem uma teoria económica sucessivamente falhada e sucessivamente paga por quem para ela não contribuiu.

Os mesmos que louvam Milton Friedman que defendia que os trabalhadores deveriam aceitar condições indignas ou sub-humanas para trabalhar (leia-se, morrer aos poucos no local de trabalho) e que rejubilava com a desregulação dos mercados, são os mesmos que agora defendem, com unhas e dentes, a não taxação sobre as mais-valias no “jogo da bolsa”, são os que defendem o fim da providência social e são, como não poderia deixar de ser, os que defendem passar monopólios naturais para os privados. Basicamente, efectivar o domínio dos sectores económico-financeiros sobre os sectores sócio-culturais e sobre as estruturas políticas. Os mesmos que apregoam as teses que nos levaram a este contexto económico-social rastejante, são os que se propõe, de forma absurdamente utópica e desprovida de senso, a levantar a este país.

O projecto é claro. “Queimar em lume brando” José Sócrates, aproveitar a deriva ideológica de alguns dirigentes do governo do Partido Socialista e a sua autofagia para levar a cabo a maior canibalização do Estado Social de que há memória no nosso país democrático. A Extrema-Esquerda parece determinada em ajudar.

O nosso Presidente da República, nunca dado a grandes liberalismos não deixando de ser de direita, se for reconduzido, não perderá tempo em regular o “mercado político português” e dar aos de S. Caetano o que é esperado desde a indigitação do novo S. Sebastião de Carcavelos. Dia 25 de Abril festeja-se o 36º aniversário da Revolução dos Cravos, que resultou na implementação de um Estado que não desiste das pessoas e que busca a solidariedade e a igualdade de oportunidades pelas vias democráticas. Neste momento, vivemos uma fase revolucionária perturbadoramente silenciosa que democraticamente abolirá o assistencialismo social e colocará todo o conceito humanista, que construímos, em jogo. Os paladinos do mercado livre, que crêem que o mercado é uma selva em que só o mais forte pode vencer e os outros só têm que se adaptar ou deixar-se vencer, não hesitarão em “tirar o tapete” aos quase 2 milhões de pensionistas por velhice, aos 300 mil por invalidez e aos 700 mil por carência económica.

Hoje, mais que nunca, gritamos Igualdade e Fraternidade!
Viva Abril!

Post Scriptum: Em 2009, os custos com o Rendimento Social de Inserção foram de 507 milhões de euros. O “salvamento” do BPN já vai para lá dos 5 mil milhões e meio de euros…

2 COMENTÁRIOS

  1. […] Artigo de Opinião publicado no jornal maiato Primeira Mão sobre a crise financeira que afectou a economia portuguesa e as resposta…. […]

  2. (…) Nesta onda de postura e visão consciente da realidade, irei, muito em breve, desvincular-me da Juventude Socialista e do Partido Socialista. (…)

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