Opinião Germano Couto: Segurança precisa-se…

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Em caso de emergência ligue 112! Este chiché publicitário não poderia ser mais feliz em resumir a atitude certa de um cidadão perante uma situação de emergência em saúde. Mesmo em caso de dúvida acerca de estar ou não perante uma situação do género, este imperativo continua a vigorar, pois as evidências dizem-nos que quando um cidadão tem dúvidas, até prova em contrário deve tratá-la como se efectivamente fosse.

Caso presencie ou pense encontrar-se numa situação emergente, deve ligar rapidamente para o 112. Ao transmitir os dados que forem solicitados deverá tentar manter-se calmo e responder de forma clara ao que lhe é questionado. Tenha noção que o simples facto de responder ao que lhe é pedido já constitui uma ajuda essencial para que o meio de socorro mais adequado chegue rapidamente junto do doente.

Portugal adoptou, e bem, por um modelo de assistência pré-hospitalar onde enfermeiros e médicos estão presentes. O futuro das sociedades evoluídas será a manutenção deste modelo continuando a deslocar profissionais de saúde aos locais onde são precisos. Temos assistido nos últimos anos a uma profunda reestruturação da rede de urgências, o que faz com que a necessidade de ter profissionais de saúde no pré-hospitalar tenha ainda mais sentido, apesar de também ser necessária uma reestruturação na distribuição do tipo e aumento do número de meios.

Todas as situações com necessidade de intervenção diferenciada contam com enfermeiros altamente especializados na vertente da emergência pré-hospitalar, constituindo um recurso insubstituível e com provas dadas na eficácia e eficiência da actuação do INEM. Trabalhando em estreita articulação com outros profissionais, estes enfermeiros têm constituído o grande pilar de sustentação da emergência pré-hospitalar no nosso país e um foco incontornável do grande desenvolvimento que esta área teve em Portugal, ao nível da assistência no terreno, formação de profissionais e gestão de recursos.
Citando algumas áreas específicas de intervenção prática destes enfermeiros destaco:
As Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação, designadas por VMER e que estão alocadas em hospitais, têm como função deslocar uma equipa, constituída por enfermeiro e médico ao local onde se encontra o doente

As Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), tripuladas por técnico de ambulância de emergência (TAE) e enfermeiro, onde este último lidera a equipa em articulação estreita com o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). Abordam e tratam qualquer situação de emergência, garantindo cuidados de saúde diferenciados;
O Serviço de Helicópteros de Emergência Clínica. Estão disponíveis cinco helicópteros em Portugal, dois deles no Norte. Um em Matosinhos e outro em Macedo de Cavaleiros. A equipa é constituída por médico e enfermeiro e actua na estabilização e transporte de doentes graves entre unidades de saúde ou entre o local da ocorrência e a unidade de saúde adequada.

As Ambulâncias de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco, que prestam cuidados de emergência a prematuros e recém-nascidos em situação de risco e realiza o transporte deste para hospitais onde existam unidades de Neonatologia, são tripuladas por médico e enfermeiro.
Os Centros de Formação do INEM, onde os enfermeiros asseguram um papel fundamental como formadores de outros profissionais, preparando-os e avaliando-os para uma futura actuação enquanto intervenientes no Pré-Hospitalar.

As Delegações Regionais do INEM, onde os enfermeiros desempenham um papel menos visível mas de crucial importância na gestão de meios operacionais no terreno, avaliação de resultados e planificação de actividades, como a montagem de dispositivos de emergência médica em eventos sociais, políticos e desportivos e ainda a participação e organização de simulacros.
O CODU onde o papel dos enfermeiros sempre representou uma mais-valia em termos de qualidade assistencial e cujo afastamento destes pela anterior Direcção do INEM constituiu uma atitude das mais irreflectidas que tenho testemunhado a nível de gestão na Saúde.

Todo o cidadão, perante uma emergência clínica, tem o direito a receber cuidados de saúde diferenciados, em que a presença de enfermeiros é uma garantia de segurança, qualidade e competência no socorro. O enfermeiro possui a formação académica e as competências técnicas e legais necessárias que lhe permite efectuar com segurança qualquer procedimento ou técnica essencial para lhe salvar a vida, não sendo necessário, no plano actual, potenciar politicamente a criação de novas profissões para esta área de intervenção.

Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros

1 COMENTÁRIO

  1. Pobre enfermagem…

    Como pode este Enf. Germano, presidente da SR Norte da OE, vir a público com moralismos institucionais e de boa conduta organizacional quando através de um comunicado público, largamente divulgado na comunicação social, enxovalhou os enfermeiros que trabalhavam nos SAPs, só para agradar ao poder do actual governo de Sócrates, Pizarro, Ana Jorge e companhia?
    Como pode este responsável da OE estar tão preocupado com os enfermeiros se foi ele mesmo, sem nunca ter estado no local, que atacou a dignidade profissional dos colegas que trabalhavam num SAP num momento em que a população em grandes manifestações honravam esses enfermeiros pela competência e esforço de muitas décadas?
    Como pode esse Enf Germano estar preocupado em encontrar respostas para a enfermagem se ele protagonizou a subserviência mais deplorável da OE ao maior inimigo dos enfermeiros que é o médico Sec Estado Pizarro?
    Por favor Enf. Germano não se aproveite de lugares nas nossas estruturas corporativas para espezinhar os enfermeiros de forma a agradar o Poder!
    Se quer fazer opinião debruce-se em primeiro lugar sobre a opinião publicada que o senhor ajudou a criar contra os enfermeiros, nomeadamente pela jornalista Ivete Carneiro, Sousa Tavares, etc. mas também pelo Ministério da Saúde e Ordem dos Médicos e não se importe do seu prejuízo pessoal quando for necessário defender os enfermeiros e a Enfermagem. É que foi para isso que eu votei e pedi aos colegas que votassem em si! Como eu fui negligente…
    Os lugares políticos são muito efémeros, tramar a confiança dos nossos pares para lhes agradar além de terrivelmente indigno é uma demonstração de enorme estupidez.

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