Opinião Marco António Costa: O CMIN tem solução

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O Centro Materno-Infantil do Norte é um problema que se arrasta há pelo menos duas décadas e que tem sido objecto de sobressaltos e contratempos que têm impedido a sua concretização. A história deste projecto é fértil em episódios e discussões que não abonam em nada o prestígio de políticos e instituições.
Já chega de problemas de última hora e é mais do que tempo de colocar um ponto final nas duas estruturas ultrapassadas e até perigosas para os utentes que servem o Porto e a Região, o Hospital de D. Maria Pia e a Maternidade de Júlio Dinis. A sua substituição por um equipamento moderno, bem equipado, associado a um grande hospital central e capaz de responder às exigências dos nossos tempos (o CMIN) é uma emergência social e uma exigência de todos os que se preocupam com a qualidade de vida na Região.

A actual divergência entre a Câmara Municipal do Porto e o Governo, que neste momento se traduz num impasse regulamentar, mostra também que uma solução viável e definitiva pode passar por deslocar o projecto do centro da cidade e dos inevitáveis problemas de acessos e mobilidade, instalando-o noutro local.
A proposta de construir o CMIN no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, além de ser um contributo decisivo para o desbloqueamento de um impasse político-administrativo sem fim à vista, impedindo mais um adiamento do início da concretização do hospital, responde a todos os requisitos esperados e apresenta vantagens importantes.

Ficará junto a um grande e moderno centro hospitalar central, tem excelentes acessibilidades e acabará por estar no centro de uma concentração de mais de um milhão de pessoas a Norte e a Sul do Douro e complementando com todas as vantagens a acção do futuro hospital pediátrico do S. João (O “Joãozinho”). Não é, aliás, por acaso que muitos médicos e especialistas da área, desde a Ordem dos Médicos até pediatras e obstetras, têm elogiado e apoiado a proposta de Vila Nova de Gaia.

Neste momento o que é preciso é ultrapassar o impasse. Como autarca espero que não seja a luta partidária ou uma eventual marcação de terreno por parte de uma proto-candidatura socialista à Câmara portuense a dificultar uma solução. Mães e crianças não têm culpa das divergências dos políticos ou de artificiais querelas entre instituições e é nossa obrigação encontrar as soluções mais adequadas e eficazes.
O que é urgente é uma descomplexada decisão política por parte do Governo, que ponha de lado cores partidárias ou cálculos eleitorais futuros e seja capaz de escolher a solução que melhor sirva as populações da Região Norte. E as boas relações entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e o Ministério da Saúde podem ser a garantia de uma solução rápida e a contento dos interesses regionais.
Haja vontade política!

Vice-Presidente da CM de Gaia