Opinião – Marco António Costa: PSD, espaço de tolerância

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O PSD mostrou no congresso que é o partido da tolerância e que mantém a sua característica de ser um espaço aberto ao debate franco e profícuo de ideias.
Além de ter sido uma inequívoca demonstração da vitalidade do partido, o Congresso revelou-se uma excelente oportunidade política, respondendo à ansiedade sentida pelos militantes em discutir a sua vida interna e reflectir sobre o estado do País.
Sábado, o primeiro dia de trabalhos do conclave, foi um momento alto da vida partidária, marcado pelo alto nível do debate entre os candidatos à liderança, apenas manchado por manifestações de radicalismo e intolerância de sectores provenientes de uma das candidaturas que se opõe a Pedro Passos Coelho. Esta atitude está longe da tradição da vida do PSD e os apupos e assobios ouvidos só revelam o radicalismo extremista que coexiste nesse movimento, bem longínquo do personalismo humanista e tolerante que faz parte do ADN fundador do partido.
Terá sido esse, aliás, um dos motivos a contribuir para o falhanço de uma esperada avalanche de manifestações de apoio a Paulo Rangel por parte de “notáveis” , que não se verificou. Também a crescente e estruturada convicção de que Pedro Passos Coelho se apresenta como claro favorito na corrida eleitoral à liderança do partido não deixou de pesar neste recuo de muitas figuras que, sem nenhuma surpresa, preferem não afrontar quem pressentem como o vencedor de amanhã.
Marcante foi também a forma como a actual líder do partido deixa o cargo: sem chama e sem glória. Um discurso auto justificativo proporcionou a Manuel Ferreira leite a complacência do Congresso, bem dentro do espírito de tolerância característico da grande maioria dos militantes do PSD.
Um ponto ainda a reter dos trabalhos de encerramento: a confirmação dos receios manifestados neste espaço acerca da inoportunidade e inconsequência de uma revisão estatutária efectuada sem que os militantes nisso tivessem concentrados ou mesmo minimamente interessados.
Criou-se, a propósito, uma polémica escusada e artificial, aproveitada, entre outros, pelos socialistas para desviar atenções de um Congresso que no essencial foi um exemplo de confronto democrático e de debate de ideias sobre a vida do partido e sobre a degradação a que o Governo de José Sócrates está a conduzir Portugal.
O caso da contenção de críticas internas durante determinados períodos pré-eleitorais, além de corresponder a uma preocupação de unidade em torno de uma orientação estratégica, aliás também presente em regulamentos de outros partidos, tratou-se de uma aprovação eventualmente apressada por parte de militantes saturados e ainda indignados com os maus exemplos dados por quem, em altura crítica da vida colectiva, foi capaz de virar ao contrário as setas símbolo do partido.

Presidente da Comissão Política Distrital do PSD/Porto