Opinião Paulo Ramalho: Sócrates no seu melhor…

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Há pouco mais de dois meses, José Sócrates apresentou um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para o período 2010/2013 que projectava a redução do défice público em 2010 para 8,3% e 2,8% para 2013.
O cenário macroeconómico em que assentava o PEC previa que a taxa de crescimento do PIB subiria de 0,7% em 2010 para 1,7 em 2013. E o Primeiro-ministro garantia, com toda a convicção, que Portugal já estava a sair da recessão, pelo que não havia necessidade de aumento de impostos…
Passadas poucas semanas, o mesmo José Sócrates anunciou ao país que o seu optimismo não era partilhado por Bruxelas e muito menos pelos mercados internacionais, e que afinal, era preciso baixar o défice já em 2010 para 7,3% e assim…subir os impostos: IVA, IRS e IRC!

Mais ou menos ao mesmo tempo, apesar de reconhecer (finalmente…) ser necessário adiar a maior parte dos grandes investimentos públicos então previstos, assina o contrato de construção da linha de TGV que ligará duas freguesias portuguesas com cerca de 4 000 habitantes cada, Poceirão e Caia…
Infelizmente, é José Sócrates no seu melhor. Sempre a navegar à vista e ao sabor das ondas, sem sentido estratégico e reduzida capacidade de previsão. Sem capacidade de antecipar cenários, mas sempre pronto para assumir as novas realidades, por mais contraditórias ou incoerentes se apresentem, sempre com a mesma convicção.

Já com o orçamento de estado para 2009 (ano de eleições legislativas), aprovado em Dezembro de 2008, se tinha passado coisa parecida. Aí o Primeiro-ministro tinha previsto um défice de 2,2% do PIB e no final do exercício veio a apurar-se o “surpreendente” valor de 9,3%. E relativamente ao crescimento económico, José Sócrates previu um crescimento de 0,6% do PIB e no final de 2009, o valor atingido foi inclusive negativo (-2,6%) !…
Claro que nem todos foram apanhados na “surpresa”.

Desde logo, o Presidente da República, que conhece bem “o que a casa gasta”, tratou logo de mandar os devidos recados no primeiro dia de 2009, durante o seu discurso de Ano Novo: “2009 vai ser um ano muito difícil” (…) “não escondo a verdade da situação difícil em que o país se encontra” (…) ”há que enfrentar as dificuldades do presente com visão de futuro, olhando para além do ano de 2009” (…) “as ilusões pagam-se caras”.
E todos nos recordamos dos insistentes avisos de Manuela Ferreira Leite e do PSD, quando estes alertavam para o irrealismo dos números apresentados pelo Governo, para o descalabro das nossas contas públicas e para a necessidade urgente de se suspenderem os grandes investimentos como o TGV e o novo aeroporto…

A verdade é que a governação errante e irresponsável de José Sócrates está a levar Portugal para o abismo, a colocar os portugueses ainda mais pobres e a hipotecar o futuro das gerações mais jovens.
Portugal está a perder credibilidade internacional e a descer, ano após ano, nos diversos rankings de crescimento, desenvolvimento e qualidade de vida.
O desemprego já vai nos 10,5% da população activa. Onde param os 150 000 novos empregos prometidos por Sócrates? E o crescimento económico de 3% ao ano?
A nossa dívida pública não pára de aumentar. Era em 2004 de 58,3% do PIB e estima-se que atinja este ano o valor de 85,4%!

Cavaco Silva falava já em 2009, no aludido discurso de Ano Novo, em “crescimento explosivo da dívida externa” e alertava que Portugal não podia “continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos”.
Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz. A despesa pública que se situava em 2004 em 46,5% do PIB, atingiu já em 2009 a cifra de 51,2%.
A continuarmos por este caminho senhor Primeiro-ministro, tenho muitas dúvidas que Bruxelas e os mercados internacionais nos concedam uma segunda oportunidade…

Conselheiro Nacional do PSD