Opinião Victor Dias: Bento XVI, um homem de cultura

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No seu encontro com os agentes portugueses da Cultura, realizado na passada quarta-feira, no Centro Cultural de Belém, o Santo Padre foi calorosamente recebido pelos intelectuais ali presentes, com uma demorada ovação.
Citando Camões, o Papa afirmou: “Há toda uma aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo, levando a sociedade a perceber que, proclamando a verdade, é um serviço que a Igreja presta à sociedade, abrindo horizontes novos de futuro, de grandeza e dignidade”.
Coube ao bispo do Porto, D. Manuel Clemente, também ele um intelectual e um verdadeiro homem de Cultura, dirigir a saudação inicial ao Papa.

O Prelado do Porto, afirmou mais tarde: -“…a intenção cultural de Bento XVI é também entendida e bem aceite por muitas personalidades das letras, das ciências e das artes, ainda além das fronteiras da confessionalidade estrita…”

Ao longo do seu discurso, o Papa referiu a relação entre a estética e a busca da verdade: – “o conflito entre a tradição e o presente exprime-se na crise da verdade, pois só esta pode orientar e traçar o rumo de uma existência realizada, como indivíduo e como povo”.
Bento XVI citou novamente Camões para dizer: “Esta é uma hora que reclama o melhor das nossas forças, audácia profética, capacidade renovada de novos mundos ao mundo ir mostrando, como diria o vosso poeta nacional”. E referiu-se ao Concílio Vaticano II (1962-65), a reunião de todos os bispos do mundo para a reforma da Igreja, como a “renovada consciência da tradição católica” que “transfigura e transcende as críticas que estão na base” da modernidade trazida pela Reforma e pelo Iluminismo.

O Papa terminou o discurso com um apelo aos artistas: “Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza.” Um apelo que retoma o tom do discurso do encontro com os artistas, em Novembro, na Capela Sistina do Vaticano.

Assisti em directo a este encontro e foi com grande alegria que percebi a emoção que pairou naquele momento, uma emoção que era difícil de esconder, mesmo por parte de alguns que teimavam em resistir à claridade com que Sua Santidade acabava de exprimir, com singularidade e profundidade, a sua interpretação da Mundividência Cristã e dos sinais dos tempos.
Dei por mim a pensar que a sabedoria e a intelectualidade, transformadas em experiência concreta e testemunho de vida, podem ser, como o são na pessoa do Santo Padre, essência de espiritualidade e de fé.
Enquanto Português sinto-me imensamente orgulhoso pelo modo fraterno e caloroso como Portugal tem acolhido o nosso Papa BENTO XVI, desde a sua chegada. Mas tenho de confessar que me senti especialmente sensibilizado pelo conhecimento profundo que o Santo Padre tem da nossa Cultura e História.

No seu contacto com a Juventude também o achei particularmente afável e acolhedor, facto que contraria a imagem que dele quiseram impor.
Tenho uma enorme esperança que esta peregrinação do Papa BENTO XVI a Portugal venha a frutificar e a deixar marcas muito felizes para todos nós.
Além de ser um acontecimento confessional especialmente relevante para nós, católicos, é igualmente um facto de grande importância histórica e cultural.