Opinião Victor Dias: De novo na ilusão “Sebastiânica”…

2
868

É em momentos como aquele que estamos a viver que uma releitura atenta da nossa História nos ajuda a compreender muita coisa.
A História de Portugal está recheada de exemplos de políticos pouco lúcidos, confusos, algumas vezes incompetentes e até alguns tontos.
É claro que também tivemos homens que nos governaram com grande sabedoria e competência, mas pelos vistos não fizeram escola e foi pena.

Aconselho a maioria dos nossos actuais políticos a revisitarem a nossa história e ganharem algum do seu tempo a inteirar-se de figuras como D. Afonso I de Portugal e o seu séquito de astutos conselheiros, entre os quais se contam os Mendes da Maia. Não se esqueçam de D. Dinis, pioneiro no ordenamento do território e na valorização da Cultura como identidade de um povo, com o seu relevante contributo para a consolidação da Língua Portuguesa. É também indispensável recuperar os valores da ínclita geração, bem como de todos aqueles que sempre puseram Portugal em primeiro lugar.

Quanto a El Rei D. João II, merece que se detenham um pouco mais a estudar essa figura ímpar de grande estadista e estratega geopolítico, um verdadeiro visionário, muito à frente do seu tempo. No século XVIII, não se pode passar ao lado dessa figura, como se diz agora, absolutamente incontornável que perante uma catástrofe de proporções avassaladoras, arregaçou as mangas, tratou dos sobreviventes, enterrou os mortos e reconstruiu a Capital, reerguendo-a das ruínas, aproveitando esse fôlego renovador para modernizar o país. É claro que estou a referir-me ao Marquês do Pombal, também ele, quer se queira quer não, um estadista de enorme talento e competência.

Já no século XX, julgo que nem preciso de recomendar nada, cada um que estude atentamente o que foi o século XX português e que tire as suas próprias ilações. Já sabemos que não há homens perfeitos, isso faz parte da condição humana e afecta toda a sua acção, em particular, a política. Mas quando temos de por nos dois pratos da balança, virtudes e qualidades, ela há-de tender para um dos lados, ou na melhor das hipóteses, ficar em equilíbrio, ainda que instável.
Vivemos em Portugal hoje, tempos muito difíceis que, segundo parece, vão afundar mais o país e fazer-nos passar as passas dos Algarves, repetindo cenas do passado, com outros contextos, protagonistas e consequências, mas quiçá, com erros com os quais já devíamos ter aprendido, ou não será também essa uma das funções da historiografia?…

Seja lá como for, não tenhamos ilusões porque com o elenco político actual não há espaço sequer para acreditarmos, de novo, no velho mito “Sebastiânico”, esperando a vinda de um qualquer caudilho salvador que venha por ordem cá em casa.
Os nossos políticos podem não ter respeito pelo povo e pelos vistos não têm, mas não nos tratem como tontos porque estamos bem atentos ao que eles fazem, e muito mais ao que não fazem. Por isso sabemos bem chamar os bois pelo nome. Digam lá se não tenho razão?!…

2 COMENTÁRIOS

  1. A evocação de figuras histórcas é evidentemente pedagógica, mas deve ser acompanhada da nítida declaração do seu propósito; de outra forma, deixa campo aberto a interpretações talvez não coincidentes com o pensamento do seu autor – isto na minha modesta opinião.
    Que ganhamos com estas reflexões? Em que medida elas contribuirão para melhoria ds nossas vidas? Ou não passarão de palavras no vento?
    A mim, ficou-me a impressão – e perdão peço se injusta – de que o autor, além de não identificar pelos seu nome a personalidade do séc. XX digna de figurar na sua galeria, ao invés do que fez para os antecedentes (deixando à imaginação do leitor se se estaria referindo ao Dr. Salazar), parece-me fazer a apologia do pragmatismo absoluto (o congelamento dos princípios quando a necessidade aperta).
    Por tudo isto já passámos, em Portugal e no resto do mundo (Europa em especial, muito particularmente na Alemanha e em Itália), e o resultado esteve à vista.
    Cumprimentos

Comments are closed.