Opinião Victor Dias: Discurso político da treta, mole e inconsequente

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O Portugal de hoje é um país onde a realidade do quotidiano, por mais optimistas que teimemos em ser, se afigura cada vez mais deprimente. Temos um desgoverno que anda como uma barata tonta, de leilão em leilão, de credor em credor, a ver quem compra mais dívida soberana… Mas há alguma dívida que seja soberana?…
Sempre que ouço o Primeiro Ministro ou algum dos seus súbditos, vem-me à memória a imagem da “rainha das aldrabonas”, na feira de Santana, a vender cobertores da serra e mais um sem número de brindes inúteis, pasme-se, em pleno Verão. E o mais extraordinário desse espectáculo popularucho, é que o povo até se atropelava para chegar até ela e comprar aquela inutilidade, num tempo em que as temperaturas rondavam os trinta e tantos graus centígrados. Digam lá se não foi um pouco o que se passou nas últimas legislativas.

Oposição mole de faz de conta

Perante um tal desgoverno, temos uma oposição mole que faz de conta que censura o Governo. Ora agora censuro eu, ora agora censuras tu, ora agora censura ele e votamos todos contra ou abstemo-nos em bloco contra o Bloco.
Onde está a fidelidade ao supremo interesse nacional?
Pior, mas muito pior do que uma crise política é o lamaçal em que se transformou a vida política portuguesa. Todos estão de acordo que este Governo é uma lástima e vai levar o país ao abismo, mas ninguém assume as responsabilidades que se impunham, pelo contrário, todos agem com um calculismo táctico “nojento”.

Crise de lideranças

À medida que o tempo passa, fica cada vez mais claro para mim que atravessamos, em Portugal, na Europa e no Mundo, uma crise de lideranças.
O discurso político é hoje, em todo o lado, fruto de uma espécie de abstracção mediática que, uma vez submetido a uma cuidadosa análise de conteúdo, resulta quase sempre numa mão cheia de nada, deixando cair aqui ou ali, uns recadinhos domésticos.
A maior parte dos actuais líderes políticos mundiais são fruto do sistema mediático, nasceram dentro dele, sobrevivem à sua custa e continuam a alimentá-lo.

O que o tem de ser feito já

Por todo lado, há uma imensidão de pessoas sensatas que estão preocupadas e até angustiadas com o estado do país e que já não acreditam que as coisas possam melhorar se não houver uma mudança de rumo e de vida. São essas pessoas que já nem sequer dão atenção a este discurso político mole e inconsequente que grassa por aí, atravessando todo o espectro partidário, lançando nos portugueses a desesperança.
É este sentimento que faz tremer a Democracia e a Liberdade, por isso a mudança urge!…
Precisamos de assentar de uma vez por todas e decidir o que verdadeiramente queremos para Portugal.
E querer mesmo!…