Opinião Victor Dias: Responsabilidade

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Não sendo, como repetidamente tenho afirmado, nem um analista político e tão pouco economista, tenho enquanto cidadão, uma opinião formada sobre o momento crítico que Portugal está a viver.
Como já há vários meses tinha vaticinado, aí estão as agências de “rating” e os mandantes dos mercados financeiros internacionais, a querer ditar as leis da nossa governação.

Não me parece nada de muito novo, pois afinal já assim é, com as instituições europeias a impor os seus ditames. A novidade é que agora estamos expostos a uma especulação desenfreada e sem precedentes que vulnerabiliza ainda mais a nossa economia e a situação social do país.
Penso que não teremos muitas dúvidas sobre quem não falou verdade e desgovernou Portugal, ao ponto de nos atirar para esta situação.

Não nos vale de muito relembrar que Manuela Ferreira Leite já estava a prever este cenário e não se cansou de advertir o Governo, o Parlamento, o PS e até alguns sectores do próprio PSD.
Aplicar-se-á agora aquele adágio popular: -“…Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão…”.
Deixemos as responsabilidades de quem nos levou a este extremo e esperemos que todos os políticos portugueses, da esquerda à direita, assumam as suas responsabilidades, e façam o que impõe, o sempre tão propalado interesse nacional.

Pedro Passos Coelho deu já um passo firme nesse sentido e sentou-se à mesa com o principal responsável pela situação, José Sócrates, demonstrando ao Primeiro Ministro que o PSD está disposto a colaborar e que esta não é hora para lutas político-partidárias inúteis. Bem pelo contrário, esta é hora de tentar evitar que os especuladores internacionais nos metam no mesmo saco da Grécia, e nos queiram contagiar à força, com os mesmos males da economia helénica, por mais que os especialistas europeus e, minimamente, independentes digam que não.

Os portugueses querem, da sua classe política, uma resposta forte, inequívoca e que transmita para o exterior uma imagem de união e responsabilidade, perante uma situação que requer essa, e só essa, resposta.
Os sinos, as sinetas e as campainhas tocaram a rebate, vamos ver agora quem é realmente patriota e é capaz de esquecer o que nos separa, para valorizar o que nos une.
Depois, quando tudo já estiver mais sereno e tranquilo, quando a tempestade tiver passado, então aí sim, será o momento de assacar responsabilidades a quem as tem e não as pode sacudir do capote, um capote que pertence por inteiro ao Governo de José Sócrates e do PS.

Victor Dias