Opinião Victor Dias: Se eu fosse deputado da nação…

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Não vou reclamar a autoria de algumas previsões que agora estão a confirmar-se, até porque não tenho nenhum dote premonitório ou qualquer qualidade extraordinária de antevisão do futuro, apenas sou um simples cidadão que reflecte sobre as coisas, com a temperança e sensatez possíveis.

Na verdade, tudo quanto nos está acontecer não nos deve causar surpresa. A crise, panaceia que cobre toda a incompetência política, toda a falta de vergonha e desonestidade, não pode ser atirada para o discurso político, como areia fina que nos impede de enxergar a realidade quando já estamos bem no olho da tempestade.

Todos já percebemos que vamos ser sacrificados e castigados por um crime que não cometemos e que nos dá toda a legitimidade para perguntar – porque não prendem os responsáveis por este caos?

Orçamento do Estado 2011
Não vale a pena termos ilusões e querer acreditar no pai natal porque o que nos espera é um tempo de vacas raquíticas e mirradas. É claro que não é preciso que venha cá um tal de Durão Barroso dizer que se o orçamento não for aprovado, a situação de Portugal que está muito mal ficará péssima. Esse senhor devia ter vergonha na cara e lembrar-se que abandonou a liderança de um governo livremente escolhido pelo povo, com uma maioria absoluta no Parlamento, em coligação com o CDS/PP, para ir tratar da vidinha dele, como Presidente da Comissão Europeia. Cada vez estou mais convencido que se ele tivesse sido uma pessoa de palavra e de compromisso, como foram outros primeiros-ministros, que não abandonaram os seus povos, Portugal não estaria à beira de ficar péssimo.

Se eu fosse deputado estava-me absolutamente nas tintas para a disciplina partidária e punha os interesses do meu país acima de tudo. Mesmo sabendo que o orçamento é uma camisa de sete varas e que responde às imposições dos estrangeiros, instituições financeiras europeias, FMI e os famigerados mercados, eu não daria para o peditório da queda do governo e não seria responsável pela ida de Sócrates assim pela porta do lado, ainda demasiado grande para que este personagem se “pire” com a pele de cordeirinho vítima do PSD e do seu líder.
Estamos num dos maiores dilemas da nossa história, é bem verdade, mas uma crise política grave nesta altura significa a banca rota e o afundamento de Portugal num abismo.
Por tudo isto meus caros leitores, penso que mais do que nunca, este é um tempo em que temos de saber escolher, do mal o menos…

Concordo com bastantes coisas que o líder do PSD tem afirmado e dou-lhe razão em quase tudo, exceptuando alguns tiros nos pés que ele deu, talvez por estar mal aconselhado, mas julgo que não lhe restam muitas alternativas que não seja ponderar e pôr Portugal à frente de tudo, engolindo os sapos que vai ter de engolir.
Ao que nós chegamos, ter de fechar os olhos a um Primeiro-ministro e a um governo que nos tem arrastado para as ruas da amargura, só para não caírmos para sempre num poço sem fundo.

Vamos ter de ser pacientes e esperar por tempos mais calmos para mandar embora o pior chefe de governo de sempre. E se calhar vamos ter de aprovar um orçamento de Estado que obedece às imposições dos nossos credores. Ou alguém tem dúvidas que o FMI, as agências de “rating” e o BCE Não estão já cá, a mandar na política e na economia há muito mais tempo do que o próprio Ministro das Finanças pensa?…
Resta-me uma dúvida, mas não seria melhor que José Sócrates cumprisse com a chantagem que está a fazer a Passos Coelho e se demitisse após o chumbo do orçamento?…
Paira no ar um sentimento generalizado a pedir BASTA!…

Victor Dias

1 COMENTÁRIO

  1. É bem verdade! – “-A crise, panaceia que cobre toda a incompetência política, toda a falta de vergonha e desonestidade, não pode ser atirada para o discurso político, como areia fina que nos impede de enxergar a realidade quando já estamos bem no olho da tempestade”.

    Eu acrescento que essa tempestade há muito que vem nos ventos do PS para o PSD e dos dois para o povo, sempre social e culturalmente de olhar ofuscado sobre a incerteza do presente e do futuro, que pertence única e exclusivamente aos interesses destes dois partidos. Porque o resto é paisagem.

    Entretanto o país, os portugueses, vão sofrendo com a “panaceia que cobre toda a incompetência política, toda a falta de vergonha e desonestidade” por parte dos dois principais partidos que deveriam ter mais responsabilidade nacional.

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