Opinião Virgílio Macedo: Combate ao desperdício

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A razão deste meu artigo prende-se, sobretudo, com as muitas preocupações que tenho com a actual conjuntura económica. E como o PSD já arrumou a sua casa, é natural que todos os seus militantes, simpatizantes e os portugueses na generalidade, olhem agora para o PSD, na esperança que, com as suas propostas, o partido possa resolver todos os problemas que no vector económico nos afectam quotidianamente.

Por isso temos, todos sem excepção, que ter consciência da “alhada” em que o PS e as suas políticas desastrosas implementadas ao longo dos últimos 15 anos nos meteu.
Tenho a certeza que o novo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, terá certamente vários desígnios para o nosso país. Mas um é, no meu entender, fundamental para o bem-estar dos portugueses: evitar a todo o custo, doa a quem doer, que Portugal seja obrigado a sair da zona euro por causa das suas políticas irresponsáveis, e por causa dos seus políticos não saberem ou não quererem implementar as medidas que são inevitáveis.

Essa eventual saída seria a pior tragédia em termos económicos que aconteceria a Portugal, desde o 25 de Abril. Qualquer sacrifício que tenhamos que fazer para evitar essa saída será muito inferior aos sacrifícios e às privações que passaríamos, se tal acontecesse.
Nenhum português quer que Portugal se transforme numa Albânia da Europa; O PSD não quer condenar à miséria os reformados portugueses nem hipotecar duas gerações de portugueses à pobreza.
Infelizmente todos os dias assistimos a um ataque sem tréguas a algumas economias, entre as quais a portuguesa, por parte dos financiadores internacionais. Agora que esses financiadores já não conseguem obter mais-valias especulativas no mercado imobiliário, viram nas necessidades de financiamento de alguns países a oportunidade de poderem efectuar a substituição desses ganhos extraordinários.

Não é mais nem menos do que os bancos comerciais nacionais fazem todos os dias às PME’s que têm falta de liquidez!
É uma guerra sem quartel e uma guerra que não vamos conseguir vencer sozinhos. O futuro da Europa como um todo, está-se a jogar nestes ataques dos financiadores internacionais!
Estou convicto que poderá ainda existir um caminho para fugir a este triste destino, embora cada dia que passe esse caminho fique mais estreito e sinuoso, o que obrigará à implementação de medidas impopulares, mas fundamentais para que possamos sobreviver a esta tempestade em que estamos inevitavelmente mergulhados.

Os portugueses já viram que não é com o PEC apresentado pelo Governo socialista que Portugal irá reequilibrar as suas finanças públicas, nem é com esse PEC que iremos transmitir confiança aos mercados internacionais.

Por isso os militantes e simpatizantes do PSD devem estar preparados para explicar aos portugueses, caso seja necessário e esse seja o caminho, que a redução da despesa pública, e o reequilíbrio das nossas finanças públicas, poderá ter que passar pela implementação de medidas verdadeiramente duras e impopulares, como sejam a redução temporária dos salários e benefícios ou ainda o agravamento temporário da tributação indirecta, bem como combater o desperdício de recursos.
Isto porque o desperdício foi, e continua a ser, uma das principais razões para que hoje nos encontremos nesta má situação financeira.
Não podemos cair na tentação de dizermos que o desperdício só existe ao nosso lado na casa do vizinho… não! existe na casa do nosso vizinho, existe na nossa casa, existe no Governo central, existe nas autarquias, existe nas juntas de freguesia, existe na saúde, existe na educação, existe na segurança social, ou seja existe em todo o lado!

O combate ao desperdício poderá permitir não só a libertação de recursos para reduzirmos o nosso famoso deficit externo, mas também permitirá a libertação de recursos para que possamos investir verdadeiramente na nossa economia. Investir, não em elefantes brancos ou em projectos de rentabilidade mais do que duvidosa, mas sim investir em medidas que visem sobretudo o aumento da competitividade das nossas empresas, o aumento das nossas exportações, e consequentemente o aumento da criação de empregos.
Caso contrário, estaremos inevitavelmente condenados a, mais mês menos mês, mais ano menos ano, regredirmos décadas no nosso nível de vida. E nessa altura já será tarde demais para pedirmos contas aos políticos em geral, e aos do PS em particular, que fruto da sua inconsciência e da sua incompetência nos empurraram para essa situação.
Mas ainda acredito que o futuro pode ser melhor que o presente!

Economista, Professor Universitário e Secretário-Geral da Distrital do PSD/Porto