Opinião: Marco António Costa – Líder precisa-se

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O PSD precisa urgentemente de resolver a sua liderança para poder ter uma intervenção capaz no processo político nacional. Esta premência resulta particularmente clara dos episódios que marcam a negociação do Orçamento Geral do Estado para 2010. A partir de uma atitude sensata e responsável, que o impedem de chumbar o OGE, o PSD pode sair deste processo com imagem política frouxa e ainda por cima ligada ao "despesismo e descontrolo " das contas públicas regionais.

Sabendo bem da gravidade da situação interna e tal como o Governo também sob a vigilância de agências e organismos que superintendem na economia internacional, a capacidade de manobra do maior partido da oposição, é muito limitada. Sem uma política global alternativa, o actual PSD limita-se a propostas de ordem geral e é "obrigado" a deixar passar um orçamento sofrível, por dever patriótico de pugnar pela estabilidade, por responsabilidade perante os portugueses, mas também muito por ausência de uma liderança capaz de traçar um rumo firme e claro a médio prazo.

Neste contexto, percebe-se que o Governo e o PS tenham sido capazes de "embrulhar" o PSD na discussão das Finanças Regionais, colando o partido especialmente à situação da Madeira e dando dele aos portugueses uma imagem associada a um conceito de "despesismo" que, independentemente de ser ou não real, grassa entre os portugueses.

O Governo consegue ainda colocar em evidência a situação interna do PSD ao sugerir um acordo sobre as contas públicas para o próximo triénio, jogando claramente como o facto de no PSD não haver no momento um líder com legitimidade ou com capacidade para responder ao desafio. Além de saber que está a falar para um partido que não tem resposta, o Executivo consegue manter uma atitude de chantagem sobre os portugueses sem que da parte do PSD haja uma denúncia e uma resposta suficientemente firmes.

A explicação para esta "paz podre" que rodeia a discussão do OGE, que só a esquerda parece denunciar, parece-me evidente. Incapaz de marcar a agenda política, sem soluções verdadeiramente alternativas e prisioneiro entre as tácticas socialistas e a situação do País no contexto internacional, o PSD é hoje um partido adiado que sobrevive numa urgência clara: a de eleger um líder para liderar.