Opinião: Victor Dias – Bom senso e confiança

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Esta minha prosa não é um balanço do ano que hoje finda, é apenas uma reflexão sobre a nossa vida colectiva, sobre alguns factos, a espuma que provocam nos dias e os aproveitamentos que proporcionam.

Antes de mais quero, em nome da Lealdade que me merecem os leitores, afirmar sem equívocos, que vivo do meu trabalho e que quem me paga o ordenado, pelo meu empenho profissional, é por entreposta entidade, a Câmara Municipal da Maia, a cujos quadros pertenço, instituição onde, com muita honra e orgulho, ganho o meu pão e das minhas filhas. Ao contrário de outros, não me posso gabar de não precisar do meu ordenado, contudo essa realidade, não me sendo indiferente, nunca foi motivo para que eu deixasse de dizer, ou melhor, escrever, o que penso.

Pese embora esse facto, a que os leitores atribuirão o peso que entenderem, sublinho que sempre usei, sem qualquer condicionalismo ou constrangimento, a minha Liberdade de expressão, enquanto cidadão que tem opinião formada sobre o Mundo que o rodeia.

É sabido que algumas figuras públicas do nosso Município, bem como alguns serviços, estão a ser alvo de uma investigação judicial, cujos trâmites e diligências, porventura, só os investigadores e magistratura, saberão com verdade e propriedade, por força das suas competências e missão.

Sobre esse assunto, como seria de esperar, muita tinta tem corrido. Especula-se, fazem-se conjecturas, ensaiam-se mirabolantes teorias da conspiração e lançam-se, sem cessar, boatos e notícias mentirosas, a que hoje, por ser de bom tom, se chama, num registo politicamente correcto, inverdades, o que não deixa de ter a sua graça.

Encaro este assunto com a maior naturalidade e, como cidadão, entendo que a Justiça deve fazer o seu trabalho, sem pressões e mantendo intacto o princípio da separação de poderes, com a eficácia e celeridade que se impõe, quer pelo respeito que merecem as instituições, mas principalmente, pelo bom nome das pessoas.

Todos sabemos que Portugal padece de um mal crónico que, de algum modo, tem tolhido o desenvolvimento e uma gestão mais ágil e célere, da coisa pública, graças a uma espécie de “legislativite aguda” que semeia burocracia por todo o lado e, por vezes, chega até ao ponto de gerar regras e normativos contraditórios, dando autênticos nós cegos a juristas, agentes da administração pública e cidadãos comuns.

Neste cenário de um permanente caudal legislativo, sobre tudo e mais alguma coisa, qualquer pessoa, empresa ou instituição, por mais atenta e rigorosa que queira ser, corre sempre o risco de incorrer, inadvertidamente, numa infracção ou irregularidade, o que acontece com muito maior frequência do que se imagina. Ocorrências desta natureza, devem ser encaradas com normalidade, sendo alvo das necessárias correcções e caso a Lei assim o determine, objecto da liquidação das respectivas coimas ou, ao cumprimento, de qualquer outro tipo de sanções.

É pacífico e do interesse geral que haja transparência, rigor, legalidade e equidade na gestão da coisa pública.

No meu quotidiano profissional, tenho de lidar com vários serviços da Câmara Municipal, contactando directamente com o Presidente, vereadores, hierarcas e muitos funcionários que integram a comunidade de trabalho e, ao contrário do que se apregoa, sinto que todas as pessoas, sem excepção, continuam a trabalhar com afinco, dedicação e brio profissional, mantendo-se imperturbáveis e serenas, sem dar qualquer crédito a uma suposta denúncia anónima, que a ser verdade é deplorável, mas que, por imperativo da Lei e da sua missão, as autoridades judiciais têm que investigar.

Não vejo nisso nenhum drama e estou absolutamente convicto de que as pessoas se vão, igualmente, manter impávidas e serenas, a cumprir a sua missão, sem nenhum receio.

Essa forma de estar, sem a mínima perturbação, indicia a meu ver que as pessoas estão de consciência tranquila, único sentimento que nos deixa dormir em Paz.

O novo ano que amanhã começa, vai por certo trazer o cabal esclarecimento da verdade, resultando daí, com toda a certeza, o reforço da credibilidade e confiança nas instituições, nas pessoas que as governam e nelas trabalham.

As mãos que atiram pedras e se escondem e as vozes que lhes querem, sabe-se lá porquê, dar crédito e amplificação, hão-de calar-se perante a verdade.

Sejamos justos, sensatos que é como quem diz, não queiramos julgar os outros, por acção de um qualquer bufo anónimo, sob pena de lhe tomarmos a mesma repugnante condição.

Os homens e as mulheres de bem, não temem a Justiça, mas devem temer a maledicência, a calúnia gratuita e infundada e os falsos testemunhos, lançados como penas ao vento que nunca mais se podem recolher integralmente. E disso ninguém está livre, nem há Justiça dos homens que valha.

Sensatez, temperança, confiança e esperança é o que eu desejo para a nossa comunidade, no Ano Novo.