Opinião: Victor Dias – Qual Casamento?…

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O Partido Socialista conseguiu levar a sua avante e fazer aprovar no Parlamento o “casamento” entre homossexuais, deixando entretanto antever o que de mais virá por aí, claro está, a adopção de crianças, por parte de pessoas que contraiam esse tipo de vínculo e constituam uniões assumidas por dois homens ou duas mulheres, não se tratando, como a natureza evidencia, de casais.

Devo afirmar com toda a clareza e lealdade para com os leitores que sou Cristão Católico e nada me move contra ninguém que procure a sua felicidade, de um modo e com uma orientação de vida diferente da minha, pelo contrário, é justamente em nome dos valores que procuro interiorizar que respeito o direito à diferença, com a aceitação e tolerância que manda o bom senso e a temperança que deve caracterizar os católicos, embora, a meu ver, esta matéria não convoque apenas valores e princípios éticos e morais. Julgo que também devem ser convocados valores como o respeito pela natureza humana, pelos direitos a uma educação fundada justamente em referências naturais.

Em oposição a esta minha postura de princípio, já não compreendo, nem aceito que o Estado, pela mão de um primeiro-ministro e Governo, hoje republicano, socialista e laico, ponha a cabeça no cepo, fazendo um tremendo finca-pé, por uma questão que não é actualmente e nunca foi, uma questão que os portugueses tivessem no rol das suas principais preocupações, como o desemprego, o agravamento das condições de vida, o clima de pré-falência financeira do país, a insegurança da segurança social que vai avisando que não garante reformas dignas a ninguém, a educação que não acerta, a saúde com listas de espera intermináveis, enfim, tantas matérias que tiram o sono a milhões de portugueses que comparadas com um assunto tão levado a peito, chega a ser “pornográfico”.

Pergunto-me se os pares de homossexuais, “gays” e lésbicas, que partilham a mesma casa e tudo o que lhes apetece na vida, sendo que isso é apenas da sua conta e risco, vão passar a ser felizes agora porque podem ter um papel, ou fazer uma festa a que o Estado também designa por “casamento”?

É claro que todos sabemos que não vai ser isso que vai mudar nada na relação entre as pessoas, mas será isso a abrir, ou pior, escancarar as portas da Lei, para a adopção. E aí as coisas mudam muito de figura. Não faço juízos de valor sobre ninguém, mas é legítimo perguntar que referências naturais, de carácter próprio da masculinidade do pai e da feminilidade da mãe, vai uma menina ou um menino aportar numa família em que os “cônjuges” são dois homens ou duas mulheres?

Já imaginaram a confusão, a desorientação de concepção de género que havia de se gerar na cabecita de uma criança?

Um casal é sempre formado por um macho e uma fêmea, seja qual for a espécie e nada, mas absolutamente nada, nem a cultura, nem a consciência social, nem a Lei e o Direito podem alterar esta realidade inamovível que é o facto mais irrefutável da História Natural.

Decretar que a união entre dois homens ou duas mulheres, ou seja, entre dois machos ou duas fêmeas é um “casamento” é querer alterar a ordem natural e promover a inversão completa dos valores que decorrem da interpretação lógica e inteligente da essência das formas e dos ciclos de vida que nos revela e oferece a Mãe Natureza.

O PS e a esquerda fizeram ouvidos de mercador a uma Petição com mais de 90 mil subscritores, várias vezes o número mínimo necessário para o efeito, ignorando a opinião e a vontade de aproximadamente 3 por cento, dos cerca de três milhões de cidadãos que participaram democraticamente, nas eleições legislativas em Setembro de 2009.

Sócrates diz que o tema constava do programa eleitoral. É certo, mas não na forma e com o conteúdo que foi aprovado.

E todas aquelas promessas que ficaram na gaveta? E as medidas que eram necessárias e nunca foram tomadas, sabendo-se que eram tão necessárias e urgentes?

O actual primeiro-ministro, o PS e até o seu candidato presidencial, continuam em campanha eleitoral. Basta analisar o discurso e a sua acção política.

Desde as manobras de diversão para anestesiar a população, uma especialidade de Sócrates, um exímio perito em desviar as atenções dos graves problemas que o Governo é incapaz e incompetente para resolver, até às investidas do PS contra Belém, na tentativa de ganhar a cada dia, mais um “fait divers” com o Presidente ou com os seus assessores, passando pelas fitas de Manuel Alegre que, hora é candidato, hora já não sabe se vai ser, hora já se assume, enfim, tudo serve para esconder a realidade e mascarar os reais e profundíssimos problemas do país, a esmagadora maioria deles com a assinatura do PS e do seu líder.

Se pensarmos bem, as matérias políticas em que o Governo socialista se empenhou com unhas e dentes, como se tratasse de questões de sobrevivência nacional, foram matérias como a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, vulgo aborto, a morte medicamente assistida, a que não querem chamar eutanásia, a educação sexual nas escolas, sem que estejam asseguradas as condições adequadas a uma formação de qualidade, agora o “casamento” entre homossexuais e, mais dia menos dia, a adopção de crianças no seio destas uniões.

Questiono-me sobre o lugar da vida e da família no ideário político desta República, socialista e laica, reafirmando com toda a convicção que o ideal da República ainda não se cumpriu plenamente, que a governação socialista é apenas uma opção democrática e como tal, há outras formas de governação, com diferentes ideias políticas e valores, do mesmo modo que entendo que o Estado deve efectivamente ser laico, sem embargo de se obrigar a respeitar todas as confissões religiosas e, sobretudo, não hostilizar, afrontando sistematicamente, como tem teimosamente insistido, os seus concidadãos Católicos, ou seja, a esmagadora maioria dos portugueses.

A Democracia participativa tem sido, na boca de todos os políticos, apenas uma bandeira demagogicamente acenada em períodos eleitorais que depois metem na gaveta, silenciando e desmobilizando qualquer tentativa de expressão da cidadania, organizada à margem dos partidos.

Como resultado dessa desvalorização crónica, dos movimentos de cidadãos, temos hoje uma sociedade apática, amorfa e indiferente, sem grande capacidade para reagir e bastante mais vulnerável à injustiça social, à má governação, a irresponsabilidade política e até a uma certa forma de comunicação violenta, agressiva e chocante, emanada por personalidades e instituições que tinham por dever, comportar-se de forma bem diferente, porventura, mais construtiva, pedagógica e respeitadora das convicções e vontade da maioria, uma maioria que não se revê, estou certo, no hemiciclo de S. Bento.

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