Opinião Victor Dias: Uma escolha difícil – ou talvez não!?…

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A corrida à presidência do PSD está lançada e, a menos que saia algum coelho da cartola, o cardápio da escolha possível ficará por aqui, ou seja, os social-democratas vão ter de optar entre Aguiar Branco, Rangel ou Passos Coelho.

Em abono da verdade, é relevante que se diga que o grande problema do país não é o PSD e o seu vazio de liderança, embora convenha com toda a urgência virar essa página.

Julgo que todos nós estaremos, mais ou menos, de acordo que qualquer candidato, se quiser, consegue elaborar um projecto e um programa com medidas acertadas e propostas que preconizem uma boa solução global para tentar tirar o país da situação de calamidade económica em que se encontra, pese embora o facto de ter de ser impopular e pedir muitos sacrifícios, o que não é novidade para ninguém.

Do meu lado, aquilo que vou procurar aferir é, além da validade das ideias e das propostas concretas, a capacidade e competência de cada candidato, para liderar uma, futura, equipa governamental que trabalhe pelo bem comum, com seriedade e eficácia. É preciso que o próximo líder do PSD tenha chama viva, discurso fluente, claro e objectivo, e saiba explicar com a sabedoria da simplicidade, como quer governar, para desse modo procurar a maior adesão possível da comunidade nacional, às medidas imprescindíveis que hão-de ser impostas pela OCDE, pelo FMI e pelo inimigo público europeu de Portugal, o espanhol Sr. Almúnia, se como até agora, nada for feito para tentar salvar a nossa independência em relação ao exterior, missão cada vez mais impossível.

Acresce a esta minha grelha de análise, uma questão essencial que, a meu ver, vai ser determinante na decisão de voto de muitos militantes do PSD. E essa questão é tão básica que, nos dias que correm, para alguns pode até parecer ridícula, mas que para mim é fundamental. Estou obviamente a falar da questão do carácter dos candidatos e, sobretudo, a sua natureza ética e moral, para que possamos perceber se, cada um deles, é de confiança e sabe honrar os seus compromissos, se inculca nos seus valores, a fidelidade aos valores da Liberdade, da Justiça para todos e da Democracia, bem como a Lealdade, a Palavra de Honra e a obediência à Verdade.

Por certo, muitos leitores concordarão que, demasiados temas da nossa vida colectiva, em especial no domínio da política, tiveram na sua génese mal formações de carácter que, em muitos casos nada têm a ver com orientações e ideias políticas.

Como para mim já basta o que basta, quero que o meu partido não contribua para o agravamento da situação actual, pelo que assume uma importância capital, escolher bem o seu Presidente. Pela minha parte, espero ter a oportunidade de questionar na primeira pessoa, todos os candidatos, sobre questões que, apesar de aparentemente pouco relevantes, são determinantes. Penso que nenhum português quer continuar a ter como Primeiro-ministro uma pessoa, acerca da qual se levantam, sem cessar, dúvidas sobre o seu carácter.

Temos de escolher para o PSD, uma pessoa que nos dê garantias seguras de que nunca nos surpreenderá com a revelação da sua “face oculta” e se assim escolhermos, não vai ser difícil.