Os pobres fomentam o emprego

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1- Há dias ouvi uma frase curiosa que me deixou a pensar: que os pobres são responsáveis por muitíssimos empregos e, nomeadamente, os sem-abrigo. Os pobres seriam os dinamizadores empresariais de empregos, por que são pobres. Existem, por exemplo, nas cidades do Porto e da Maia muitos sem-abrigo e como tal existem mais trabalhadores assalariados para tratar deles. Muito voluntário, também é verdade, dá, de si o melhor, com um grande coração de bondade e de ver os sem-abrigo mais aconchegados.

As organizações para os “pobres”, as empresas e outros são muitas, às vezes cada qual lutando pelo seu quinhão, pela sua quinta. Não está em causa a necessidade de acorrer a tais situações, torno a dizer, mas talvez também todas as ações com vista à eliminação dos sem-abrigo ou dos pobres. Verdade seja dita, os pobres dão emprego a muita gente, sem eles haveria mais desemprego… ou não?

Uma moeda de duas faces, uma a da necessidade imperiosa, outra a de empregar mais pessoas, às custas da “necessidade imperiosa”.

2- A história indica-nos a necessidade da pobreza, agora os sem-abrigo, para que as consciências de muitos estejam em paz: a esmola como dinamizadora do perdão. Nomeadamente os mais poderosos ao nível das economias criam os pobres para que depois “sejam boas pessoas” e auxiliem os pobres, tranquilizando-se a si, mas é necessário existirem pobres, portanto há que criá-los.

A melhor forma de os manter – aos pobres – é inventando outras formas de pobreza, fomentando seu aparecimento, subjugando a sua liberdade. Quem, no entanto, subjuga também não é livre, pode ter o poder do dinheiro e das armas, podem ser os senhores que pensam dominar todos e tudo, mas não são livres.

A nossa liberdade consiste em criarmos formas de que os outros se libertem, não condicionando, e que não possuam a esperança de se manterem sempre com os “poderes”, que são efémeros, mas enquanto duram, duram.

3- A solidariedade e a subsidariedade não se encontram em quem tem necessidade da pobreza, mesmo de quem a procura como um colar de diamantes. “Aqui está onde eu posso atuar, onde posso fazer o bem” – pensam.

Continuo a afirmar que se há a necessidade de acorrer a tantos que por aí existem, a mais imperiosa é saber quais as formas de atuação para que não existam essas situações. Todos viveríamos mais felizes, então num jardim florido, se uns tantos não quisessem, por si, todas as maçãs da macieira.

Não é a questão de dar a cana para pescar, mas de dar todo o oceano para pescar, este é que é subtraído, quando obsessivamente desejamos que até os riachos e os rios sejam pertença própria.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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